sábado, 29 março 2025
CONSERVAÇÃO AMBIENTAL

Criado em Piracicaba, Imaflora completa 30 anos com atuação nacional e internacional

Ao longo de sua história, Instituto desenvolveu ações em sua cidade natal para aumento de transparência pública, melhorias na mobilidade e conscientização quanto às mudanças climáticas
Por
Redação

Com o objetivo de promover o uso responsável dos recursos naturais e unir produção agropecuária a ações de conservação ambiental, o Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola) foi criado em Piracicaba (SP) no dia 17 de março de 1995, a partir de uma iniciativa do então professor Virgílio Viana e do aluno na época Tasso Azevedo, ambos da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São Paulo).

Desde então, o Imaflora, que completa 30 anos em 2025, tem sido uma referência na promoção da sustentabilidade, em um período em que o Brasil passou por transformações socioambientais, com avanços em conservação da biodiversidade, gestão de recursos naturais, políticas ambientais e práticas agrícolas sustentáveis. Entretanto, desafios como desmatamento, desigualdade social, e cadeias agropecuárias e florestais que ainda degradam e aceleram as mudanças climáticas e impactam populações tradicionais ainda são uma realidade e demandam esforços contínuos para um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.

O Instituto atua com projetos filantrópicos e oferece serviços voltados à conservação dos ecossistemas, boas práticas agrícolas, controle das mudanças climáticas e atuação junto às populações indígenas e tradicionais, aos pequenos produtores, as principais cadeias produtivas florestais e agropecuária (cana, café, pecuária, frutas, madeira, etc) e à sociedade em geral, com contribuições que incluem certificação, verificação e boas práticas, projetos de sustentabilidade, ESG (ambiental, social e governança, na tradução do inglês) e de carbono, entre outros. Apenas em 2024, foram mais de 62 mil pessoas beneficiadas, em 8,8 milhões de hectares de florestas e unidades produtivas. 

Em Piracicaba, o Imaflora foi o responsável pelo desenvolvimento de ações focadas em aumento nos índices de transparência pública, na melhoria da mobilidade urbana, além da criação de um importante projeto voltado ao combate às mudanças climáticas (leia mais abaixo).

Foto: Divulgação

Desenvolvimento sustentável

Três anos antes da criação do Imaflora, o Brasil sediou a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, que ficou conhecida como Rio-92 ou Eco-92, onde se estabeleceu o conceito de desenvolvimento sustentável e o seu tripé, formado pela sustentabilidade ambiental, econômica e inserindo o componente social.

“Dentro da Esalq, pesquisadores, inspirados por um movimento que já estava se iniciando no mundo, evidenciaram a importância da adoção de boas práticas de produção como instrumento de conservação das florestas. Então, o Imaflora surge para ajudar a criar soluções que possam valorizar a floresta em pé e valorizar as pessoas que trabalham tanto com agricultura como com floresta no Brasil, para que seja possível mostrar que é compatível produzir e conservar. Ao mostrar que essas duas questões não são antagônicas, o Instituto nasce para implementar soluções no Brasil”, afirma a engenheira florestal Patrícia Cota, diretora executiva adjunta do Imaflora.

Sistema inovador de certificação socioambiental

Em 30 anos de atuação nacional e internacional do Instituto, Patrícia Cota destaca conquistas como a implantação de um sistema inovador de certificação socioambiental no Brasil, inexistente até então.

“Foram desenhadas as normas, adaptadas para a realidade brasileira incluindo pequenos produtores e populações tradicionais. Isso ajudou o setor empresarial a subir a régua de desempenho socioambiental, gerando benefícios para as pessoas e para a conservação dos recursos naturais, além de ajudar governos a criarem soluções que possam estimular uma economia mais descarbonizada”, aponta Patrícia. 

Para a diretora, promover produção agrícola e florestal mais responsável, mais ética, com menos impactos sociais e ambientais e uma economia mais descarbonizada é uma tarefa complexa. É necessário trazer diferentes atores e mediar o diálogo para construir soluções em consenso, um traço do DNA do Instituto.

“O Imaflora tem a característica de colocar numa mesma mesa de diálogo governos, empresas, academia, sociedade civil, pequenos produtores, populações tradicionais, bancos e outros para pensar em soluções para uma produção florestal e agropecuária responsável, capaz de contribuir com soluções para os principais desafios da sociedade contemporânea”, diz.

Piracicaba

Organização genuinamente piracicabana, o Imaflora desenvolveu diferentes ações em sua cidade natal. Em 2012, o Instituto articulou o Observatório Cidadão de Piracicaba, que reuniu duas frentes principais: a educação para cidadania e para incentivar a participação e o monitoramento da sociedade civil quanto às políticas públicas; e a transparência pública, de forma a monitorar os índices de transparência do Poder Público.

“Esse foi o piloto do programa Parlamento Aberto, que teve resultados importantes, como o aumento no índice de transparência, que estava em 30% em 2014 e passou para 92% em 2013”, diz Patrícia. 

“Em 2018, apoiamos ainda uma ação de melhoria da mobilidade urbana, através da revisão e construção do plano diretor da cidade, formulando emendas. Já em 2020, criamos o projeto Pira no Clima, importante na criação da Comissão Municipal de Mudanças Climáticas (Comclima), que, em um processo de construção bem inovador, com diversidade de atores, elaborou um plano de ação, mitigação e adaptação a mudanças climáticas para a cidade”, afirma.

Futuro

Para o futuro, a diretora adjunta aponta para o atual cenário de mudanças climáticas cada vez mais evidente e a importância da agenda propositiva e de soluções inclusivas para os problemas socioambientais do país.

“Estamos vivendo uma emergência climática sem precedentes, o Brasil e o mundo enfrentando eventos climáticos cada vez mais extremos, com maior frequência e intensidade, cada vez menos previsíveis, como secas, ondas de calor, tempestades e enchentes. Neste cenário, é importante pensarmos cada vez mais em soluções para uma produção agrícola de baixa emissão, e ações de mitigação e adaptação à crise climática, que afetam especialmente as populações mais vulneráveis, que têm um papel essencial para a conservação e dependem dos recursos naturais para sua sobrevivência”, completa Patrícia Cota.

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