quarta-feira, 21 janeiro 2026
ENSINO SUPERIOR

Cursos de Medicina de Campinas e Piracicaba ficam entre os piores do país e entram em supervisão do MEC

Avaliação nacional apontou desempenho insatisfatório em instituições privadas após aplicação do Enamed
Por
Nathalia Tetzner

Os cursos de Medicina da São Leopoldo Mandic, em Campinas, e da Anhembi Morumbi, em Piracicaba, foram classificados entre os piores do país e deverão passar por processo de supervisão do MEC (Ministério da Educação). A medida é consequência do desempenho obtido na primeira edição do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica).

A prova foi aplicada em 19 de outubro do ano passado e os resultados foram divulgados na segunda-feira. O levantamento avaliou 351 cursos de Medicina em todo o país e apontou que 99 deles, o equivalente a cerca de 30%, apresentaram desempenho considerado insatisfatório pelo ministério.

Avaliação e desempenho dos cursos
De acordo com os critérios do MEC, cursos com conceito inferior a três são considerados insatisfatórios. As notas variam de um a cinco, sendo um o menor nível e cinco o mais alto. O desempenho abaixo do esperado indica que menos de 60% dos estudantes avaliados foram considerados aptos para atuar na área da saúde.

Nesse cenário, os cursos da São Leopoldo Mandic de Campinas e da Anhembi Morumbi de Piracicaba receberam conceito dois. Na área de cobertura da TV TODODIA, a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) foi a única instituição de ensino a alcançar a nota máxima na avaliação.

Objetivos do Enamed
Criado em abril de 2025, o Enamed é uma adaptação do Enade (Exame Nacional de Avaliação dos Estudantes) voltada especificamente para concluintes do curso de Medicina. O exame tem como objetivo avaliar a formação médica no Brasil e é obrigatório para os estudantes.

O resultado individual pode ser utilizado como critério de ingresso nos programas de residência médica unificada do MEC.

O exame foi criado em 2025 com o objetivo de avaliar o ensino médico no país. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Supervisão e possíveis sanções
Com a divulgação dos dados, os cursos que obtiveram nota insatisfatória e que integram o Sistema Federal de Ensino, formado por universidades federais e instituições privadas, passarão por processo de supervisão. Nesse procedimento, podem ser adotadas medidas cautelares de forma escalonada.

Entre as sanções previstas estão a redução de vagas e a suspensão da oferta de financiamento pelo Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). As instituições terão prazo de até 30 dias para apresentar defesa ao MEC antes da aplicação das medidas, que poderão valer até a próxima edição do Enamed, prevista para outubro de 2026.

O ministério informou que os estudantes não serão prejudicados diretamente pelos resultados divulgados.

Tentativa de barrar divulgação
Antes da publicação das notas, a Anup (Associação Nacional das Universidades Particulares) ingressou com pedido na Justiça Federal para impedir a divulgação dos resultados. A entidade alegou possíveis prejuízos, como perda de alunos, dificuldades financeiras e danos à imagem das instituições avaliadas.

O pedido foi negado, sob o entendimento de que o interesse público deve prevalecer, garantindo transparência na avaliação do ensino médico.

A aplicação das provas ocorreram em 19 de outubro do ano passado. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Posicionamento das instituições
Em nota enviada à TV TODODIA, o Grupo Mandic contestou os dados apresentados pelo MEC. A instituição afirmou estar apurando uma possível falha sistêmica e informou que, segundo seus próprios cálculos, o conceito exibido no sistema oficial E-MEC seria três, e não dois.

“A SLMandic conta com uma ampla rede de saúde sob nossa gestão em Araras, Campinas e Arcoverde, que serve de campo de prática de excelência aos alunos. Temos certeza de que a nota no ENAMED, decorrente de prova com baixo engajamento, gera injustiça e não representa a qualidade do curso. Defendemos a avaliação dos cursos, mas alertamos para a necessidade urgente de ajustes. Temos certeza de que, com prova de maior engajamento, teremos notas maiores, que representam a qualidade de nossos cursos de medicina”, informou a instituição.

A reportagem também entrou em contato com a Anhembi Morumbi de Piracicaba, mas não obteve retorno até a publicação.

Em entrevista à TV Brasil, o presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), Manuel Palacios, afirmou não haver erros nos resultados divulgados pelo exame.

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