Quarta, 10 Agosto 2022

Denúncias contra padre e bispo são enviadas ao Vaticano

Denúncias contra padre e bispo são enviadas ao Vaticano

As denúncias contra o padre Pedro Leandro Ricardo, afastado da Basílica Santo Antônio, de Americana, e contra o bispo da Diocese de Limeira, Dom Vilso
As denúncias contra o padre Pedro Leandro Ricardo, afastado da Basílica Santo Antônio, de Americana, e contra o bispo da Diocese de Limeira, Dom Vilson Dias de Oliveira, acusados de apropriação indébita de recursos da igreja, foram enviadas ao Vaticano em uma correspondência que partiu de Santa Bárbara d'Oeste no dia 2 de janeiro deste ano.

Os documentos foram entregues ao destinatário, na Itália, oito dias depois, segundo os Correios.

O padre, afastado de suas funções, é investigado pela Polícia Civil sob a suspeita de desviar pelo menos R$ 1,2 milhão da igreja, com a suposta conivência do bispo Dom Vilson. Ambos negam.

Contra o padre, especificamente, pesam ainda acusações por supostos crimes de assédio sexual contra menores de idade - que seriam acólitos (coroinhas) da igreja.

As denúncias de assédio teriam sido levadas ao conhecimento do bispo há anos, mas teriam sido ignoradas. Uma investigação interna na diocese corre em segredo e o bispo se mantém no cargo, apesar das investigações.

A Basílica Santo Antônio de Pádua defende a inocência do padre, que vai se manifestar aos órgãos competentes, por meio de seu advogado.

O autor das denúncias enviadas ao Vaticano é o empresário Giulio Ferrari, de 38 anos, que concedeu uma entrevista exclusiva ao TODODIA. Ferrari vive há 15 anos nos Estados Unidos e relata ter sido abusado durante sua adolescência por um religioso.

Depois de 20 anos de segredos, ele criou o site chegadeabuso.org, que reúne informações sobre vítimas do Brasil - incluindo o caso que envolveria o Padre Leandro.

Foi ele quem, através de um conhecido, remeteu as denúncias ao papa Francisco. "Não teve nenhum motivo especial, além de quem tinha disponibilidade de levar", afirmou.

O empresário garante que a Nunciatura Apostólica no Brasil, cargo mais alto da Igreja Católica no País, também teve conhecimento das denúncias, mas não teria feito nada. "Foi ligado, foi falado, ele (Núncio Apostólico) estava bem consciente. Pessoas já ligaram antes e já gravaram antes que, há mais de um mês, ele estava ciente de tudo", declarou.

O núncio Dom Giovanni D'Aniello foi procurado para comentar as denúncias, mas não se manifesta.

Já o Dicastério para as Comunicações, divisão da Cúria Romana com autoridade sobre todos os escritórios de comunicação da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano, informou que nem todos os setores da Igreja Católica estão localizados dentro do Estado da Cidade do Vaticano, sendo que alguns prédios ficam na zona extra-territorial.

Segundo o órgão, seria necessário identificar para onde as denúncias foram enviadas para cobrar explicações.

INQUÉRITO
Os detalhes do caso constam do inquérito policial instaurado em Americana no dia 23 de janeiro, a pedido da Procuradoria-Geral de Justiça do MP (Ministério Público) Estadual. O inquérito, registrado sob o nº 2022503-24.2019.070370, corre em segredo de Justiça.

O MP foi acionado pela deputada estadual Leci Brandão (PCdoB), que remeteu ao órgão um "dossiê" de 74 páginas relatando os supostos crimes cometidos pela dupla de religiosos.

A assessoria da deputada disse ter recebido as denúncias de forma anônima, em outubro do ano passado, na Assembleia Legislativa.

Em entrevista ao TODODIA, Ferrari informou que uma das vítimas, que foi da juventude do PCdoB, se dispôs a encaminhar o material. "Eles (a equipe da deputada) realmente querem investigar. Enviei para vários políticos, sem sucesso. Como eu tinha esta conexão, resolvi tentar e deu certo. Porque qualquer coisa que entre a partir da mesa de um deputado é mais importante", declarou.

Os crimes imputados aos representantes do Clero teriam ocorrido entre 2008 e 2014 em Americana, com reflexos em Limeira e Araras, onde o padre já atuou antes de assumir seu posto em Americana.

A parte dos crimes sexuais, inclusive, já teria sido apurada em inquéritos anteriores, em Araras e Limeira, e os casos arquivados por falta de provas.

DOM VILSON TEM REUNIÃO EM AMERICANA
O bispo Dom Vilson Dias de Oliveira, da Diocese de Limeira, se reuniu ontem com bispos de outras dioceses na Paróquia São Benedito, no bairro Colina, em Americana. Ninguém quis falar com a reportagem.

Investigado pela Polícia Civil desde janeiro, ele não se afastou do cargo. A investigação contra ele e o padre Pedro Leandro Ricardo não foi discutida durante o encontro, segundo as assessorias de imprensa da Arquidiocese de Campinas e da Diocese de Limeira.

Dom Vilson se encontrou com bispos das dioceses de Amparo, Bragança Paulista, Piracicaba e São Carlos e da Arquidiocese para a reunião ordinária da Sub-Região Pastoral Campinas, agendada em outubro de 2018.

A reunião foi presidida por Dom Sérgio Aparecido Colombo, presidente da Sub-região Pastoral Campinas e bispo de Bragança Paulista.

Padres coordenadores de Pastoral também estiveram presentes. Em seguida, foi oferecido um almoço aos religiosos.

De acordo com assessoria de imprensa da Arquidiocese, são realizadas quatro reuniões ordinárias da Sub-Região por ano, cada vez em uma Diocese.

Já a assessoria de imprensa da Diocese de Limeira informou que Americana foi escolhida por uma questão de localização.

"Sempre se faz em uma cidade que seja de melhor acesso a todos os participantes".

A Basílica Santo Antônio de Pádua, mais importante prédio da Igreja Católica em Americana, não informou o motivo da reunião ter sido realizada em outro local.

 

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