Terça, 18 Janeiro 2022

Empresa de radar repudia ato de vice-prefeito e estuda registrar B.O.

Empresa de radar repudia ato de vice-prefeito e estuda registrar B.O.

Recém-contratada pela prefeitura por R$ 1,6 mi­lhão por ano para a fisca­lização do trânsito com radares em Sumaré, a em­presa Talentech Tecnologia es
Recém-contratada pela prefeitura por R$ 1,6 mi­lhão por ano para a fisca­lização do trânsito com radares em Sumaré, a em­presa Talentech Tecnologia estuda registrar um B.O. (Boletim de Ocorrência) contra o vice-prefeito da cidade, Henrique Stein (PRB), o “Henrique do Pa­raíso”, que na última quin­ta-feira quebrou a pontapé um radar móvel da em­presa em uma avenida da cidade – e transmitiu o ato no Facebook.

Ontem, a direção da Ta­lentech repudiou a atitude e, por meio de assessoria de imprensa, classificou a ocorrência como “lamen­tável”. “Nosso escritório trabalha com 40 empresas do ramo e nunca tinha vis­to uma atitude como essa”, afirmou o assessor, Victor Agostinho.

DEPLORÁVEL E VANDALISMO
 
[caption id="attachment_14337" align="alignnone" width="750"] Vice-prefeito arrebentando com o radar móvel nesta quinta-feira (21)


 
Os advogados da Talen­tech disseram que aguar­dam uma conversa com os representantes da prefei­tura para entender o que levou ao ato, classificado pela empresa como “cena deplorável de vandalismo”. Após a conversa, o setor jurídico se reunirá nova­mente para, na segunda-feira, adotar uma medida judicial. A empresa não descarta um boletim de ocorrência por depreda­ção de patrimônio (crime previsto no Código Penal), e possível pedido de res­sarcimento à empresa.

O valor do equipamento não foi divulgado e a em­presa garante que a caixa chutada por Henrique do Paraíso não estava “vazia”, como suspeitaram diver­sos internautas que assis­tiram ao vídeo e sugeri­ram, nas redes sociais, que tudo não passaria de uma “encenação” ou jogada de marketing político do vice.

ALVO DE FÚRIA
O aparelho alvo da fú­ria do vice-prefeito estava em um canteiro da Ave­nida Fuad Assef Maluf, no Jardim Picerno. Na filma­gem, postada por volta das 16h40, o vice-prefeito disse ter ido ao local, a pedido do prefeito Luiz Dalben (PPS), verificar reclamação de condutores. Ao se apro­ximar do equipamento, Henrique do Paraíso chu­tou com violência a caixa metálica fixada sobre um suporte (tipo tripé), que caiu alguns metros adian­te. Ele ainda pegou a caixa e o suporte e atirou os ob­jetos violentamente contra o chão, dizendo que “na minha cidade, não”. Reco­lheu a caixa e o suporte e pediu que retirassem em seu gabinete.

Horas depois, Henrique do Paraíso a pareceu em um vídeo ao lado do pre­feito Dalben, onde reco­nheceu que “se excedeu”, mas que o “objetivo” tinha sido “cumprido”. Dalben confirmou ter pedido “fis­calização in loco” e falou em tomar “providências”, sem dizer quais, mas tam­bém confirmou que o “ob­jetivo foi cumprido”.

O TODODIA tenta, des­de a tarde da quinta-feira, contato com o vice-prefei­to, que não é localizado e nem retorna aos recados.

VÍDEO SOME DO FACE E NOTA 'JUSTIFICA'
Após viralizar nas redes sociais, o vídeo postado pelo vice-prefeito foi removido do Facebook. Ontem, em seu perfil, foi publicada uma "nota de esclarecimento". Ele disse no texto que foi à avenida "retirar o equipamento".

"Minha revolta foi causada devido a utilização do aparelho de forma imoral pela terceirizada, prejudicando a população e, por isso, acabei me exaltando", escreveu.

"O contrato prevê o radar móvel, porém, não é porque está previsto que deverá ser utilizado pela terceirizada sem a autorização prévia do Executivo", disse.

DIÁRIO OFICIAL PUBLICOU A 'ORDEM DE SERVIÇOS'
[caption id="attachment_14334" align="alignnone" width="791"] Diário Oficial


 
Além de vice-prefeito de Sumaré, Henrique do Paraíso é também secretário de Administração e Recursos Humanos da prefeitura e foi ele o responsável pela publicação e fiscalização do processo licitatório de contratação da empresa Talentech para operar os radares.

Em publicação no Diário Oficial do Estado, em 8 de dezembro de 2018, Henrique Stein aparece como a pessoa que adjudicou e homologou a licitação. Mas, o vice-prefeito alega que radar móvel (chamado de "ponto estático") só poderia ser utilizado mediante autorização do prefeito - o que não teria ocorrido.

A empresa contratada, porém, garante que tinha autorização, com ordem de serviço emitida e publicada no Diário Oficial do Município - ao contrário do que garantem prefeito e vice.

De fato, o Diário Oficial da quinta-feira, dia 21, trouxe a publicação da "Ordem de Serviços", datada de 18 de fevereiro, em que a Secretaria de Mobilidade Urbana "determina" as ruas que deveriam ser fiscalizadas por "pontos de radares estáticos". Na data do dia 21 (quando o vice chutou o radar), consta na publicação que o ponto de "radar estático" deveria estar na Avenida Fuad Assef Maluf (local da quebra do radar), entre 7h e 10h.

A "Ordem de Serviços" aparece assinada pelo secretário de Mobilidade Urbana e Rural, José Marin. Questionada, a prefeitura informou, via assessoria, que a ordem saiu no Diário Oficial "a pedido da Secretaria de Mobilidade Urbana, porém, não havia sido autorizado pelo prefeito".

Ainda de acordo com a prefeitura, "a ordem de serviços determina os locais passíveis de implantação do radar móvel, porém, não autoriza a instalação do mesmo sem a anuência prévia do prefeito Luiz Dalben". A prefeitura, porém, não explicou como se dá a "autorização" do prefeito.

Ontem à tarde, o próprio secretário Marin não soube dizer se havia erro no Diário Oficial. Procurado às 16h26, ele informou que havia duas ordens de serviços emitidas à empresa Talentech. Após ouvir as indagações, Marin pediu "10 minutos" para reunir a documentação e prestar os esclarecimentos. Ao término do prazo, o celular do secretário estava desligado ou fora da área de operação. Ele também não estava mais na Secretaria. Veja o Diário Ofical:

VEREADOR PRETENDE IR AO MP
O MP (Ministério Público) de Sumaré será acionado, na próxima segunda-feira, para apurar o ato do viceprefeito Henrique do Paraíso. Pelo menos é o que informou ontem o vereador Marcio Brianes (PCdoB), que prometeu acionar a Promotoria contra o que considerou "chacota" com a cidade.

Brianes disse ainda que não descarta propor a abertura de uma CP (Comissão Processante) ou de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara, para investigar a ação, classificada por Brianes como ato de violência.

"A Câmara tem que fazer alguma coisa porque ele (Henrique) levou Sumaré a uma chacota nacional, senão mundial", afirmou.

Caso a Câmara abra uma CP, a apuração tem poder até para cassar o mandato do prefeito Luiz Dalben.

O vereador se reuniu ontem com o departamento jurídico da Casa para definir as ações a serem adotadas. "Estamos vendo a melhor medida para não fazer besteira, como fez o vice-prefeito".

O protocolo de uma representação no Ministério Público, segundo ele, está garantido. "Faremos a representação porque o vice-prefeito, além de ser quem tinha que dar o exemplo, incita o ódio no vídeo", declarou Brianes.

Ontem, o vereador divulgou um vídeo em suas redes sociais, no qual tece duras críticas à atitude do vice.

"A gente não aprova isso, primeiro porque somos agentes públicos, temos de dar o exemplo. Imagina o senhor que passar em um dos 46 pontos de radar instalados em Sumaré e o senhor toma uma multa e vai lá e quebra o radar. O senhor tem de ser punido, isso é vandalismo. Agora, quando vem de um agente público, um vice-prefeito, é lamentável. Eu, enquanto vereador, estou envergonhado", disse. Veja o vídeo na íntegra:

 
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