Sábado, 13 Agosto 2022

Famílias da região vivem o lado extremo da crise

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Famílias da região vivem o lado extremo da crise

Desemprego, inflação e demais fatores econômicos deixam a vida difícil 

VULNERABILIDADE | Maria de Fátima da Silva (Foto: Reprodução)
Mesmo dois anos após o início da pandemia, famílias da região sofrem severos impactos econômicos da inflação e da instabilidade e enfrentam o extremo da crise financeira. Segundo relatos de moradores ouvidos pelo TODODIA, a maior dificuldade é para se alimentar, pagar as contas básicas e tentar evitar despejo. Há quem coma pão duro nos dias mais difíceis e fica horas sem comer, dependendo da doação de restos de alimentos de restaurantes.

Diagnosticada com tuberculose em 2020, Maria de Fátima da Silva, de 58 anos, de Sumaré, é uma dessas personagens. Maria contou que quando não há nada para comer, ela recorre ao pão duro com água e açúcar para não passar fome. Por vezes pede sobras de comida em restaurantes para levar alguma refeição para casa. E mesmo com tantas dificuldades e contas de água e energia atrasadas, ela diz que tem esperança de dias melhores. "O que não pode fazer é se entregar! Sou o tipo de mulher que não se entrega! Eu luto de todas as formas", disse. Ela precisou deixar o trabalho de ajudante de cozinha para poder cuidar da saúde. A intenção era voltar ao mercado de trabalho após o tratamento, mas com a chegada da pandemia os planos foram adiados. Até o momento, ela segue sem um trabalho fixo e é através da divulgação de serviços, como de limpeza, cozinheira e cuidadora, que consegue alguma renda. Mesmo com uma situação financeira difícil, ninguém da família, que está desempregada, conseguiu o Auxilio Emergencial ou Auxílio Brasil.


SUPERAÇÃO | Suelen Delfino Camargo e a família (Foto: Reprodução)

O caso da americanense Suelen Delfino Camargo, de 29 anos, e da sua família, não é muito diferente. No começo de 2020, ela trabalhava em uma empresa de limpeza e assim que a pandemia começou, descobriu a gravidez. Ficou empregada até o sétimo mês de gestação. Seu marido, que era servente de pedreiro, também perdeu o emprego. Durante a gravidez, Suelen estava morando na casa da mãe, onde havia mais quatro pessoas. "Tinha dia que tínhamos dois ovos para toda essa gente. Também teve dia que não tinha arroz, mas Deus abençoou sempre, e eu ganhava alguma coisa". Mesmo com acesso ao Auxílio Brasil e Auxílio Emergencial, a condição não é fácil. "Estou desesperada! Preciso de emprego, pois o aluguel está atrasado. Estou quase sendo despejada", disse.

A situação da americanense Débora Aline Ribeiro, de 31 anos, também é complicada. Mãe de uma menina de 3 anos com esclerose múltipla, a moradora precisa cuidar e acompanhar o tratamento que a filha faz na APAE. "As coisas estão caras e ainda tem a conta de água para pagar, que com a família grande, ela vem cara! E infelizmente essa pandemia veio para atrasar a gente! Gasolina cara, botijão de gás, comida... tudo né! Cada dia a gente se surpreende mais", desabafa ela. Além das duas, na casa moram mais nove pessoas - pai, a mãe, o irmão, a irmã, o cunhado e os quatros sobrinhos - e apenas a irmã está empregada. O que ajuda a complementar a renda da casa é a aposentadoria dopai, as latinhas que a mãe pega e revende, o Auxílio Brasil e o BPC (Benefício de Prestação Continuada).

Para Eliane Rosandiski, economista e professora da PUC-Campinas, a situação destas famílias ocorre devido a uma junção de fatores. Além da pandemia, que deixou a economia fragilizada, a alta da inflação e os reflexos da Guerra da Ucrânia e Rússia no país, vieram para agravar o quadro da população. Ela explica que "com desemprego alto, o poder de barganha dos trabalhadores diminui, pois quando há muitas pessoas querendo emprego, o salário cai. E do outro lado, obriga as famílias a remanejar o orçamento. Bens supérfluos vão perdendo espaço para o que é prioridade: alimentação e moradia".

Roberto Brito, também economista e professor da PUC-Campinas, denomina o desemprego e a inflação como os "monstros" do orçamento familiar. "A perda de renda, a impossibilidade de ter uma renda ou a renda muito abaixo do que teria e o aumento do preço, combinados, é uma bomba no orçamento das famílias", explica Brito.

Levantamento da Acic (Associação Comercial e Industrial de Campinas) mostra que no primeiro ano de pandemia, de março a maio, a taxa de desemprego em Americana e Sumaré era de 12,83% e 9,72%, respectivamente. Já em janeiro de 2022, com o esboço da retomada da economia, eram 7,42% dos americanenses e 5% dos sumareenses desempregados.

Ao comentar sobre o futuro econômico do país, Rodandiski diz que a situação ainda é incerta.

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