Petroleiros que desencadearam uma greve geral há 14 dias e mergulharam em um embate jurídico pelo direito de manter a mobilização mudaram de estratégia para tentar conseguir apoio popular.
Assim como já ocorre em outras cidades, os trabalhadores implementaram um ato simbólico também em Cosmópolis, com a distribuição de botijões de gás a preço módico, na esquina das avenidas do Trabalhador e da Saudade.
Foram contemplados moradores do Parque dos Trabalhadores, Recanto das Laranjeiras, Chico Mendes, Parque Residencial Rosa Amelia, Recanto dos Colibris e Beto Spana.
Os “beneficiários” receberam senhas e pagaram R$ 40 por cada botijão. Com a ação, os petroleiros buscavam chamar a atenção para a suposta prática abusiva de preços adotada pela Petrobras.
A Campanha dos Combustíveis a Preço Justo acontece simultaneamente em outros seis Estados, com orientação da FUP (Federação Única dos Petroleiros).
O preço médio do botijão no Brasil é de R$ 70.
No gás de cozinha, a diferença no preço se refere basicamente às margens de revenda e distribuição (45,6%), que são repassadas para o consumidor.
A FUP (Federação Única dos Petroleiros) quer, com a ação, convencer a Petrobras a subsidiar uma parcela de sua margem na produção, já que o gás de cozinha representa apenas 5% da receita da empresa.
MANIFESTO
No início da manhã de ontem, cerca de 200 trabalhadores realizaram manifestação em frente ao à Portaria Sul da Refinaria de Paulínia (Replan). A refinaria é a maior do sistema Petrobras.
Os sindicalistas consideram que a categoria segue mobilizada. “O movimento em Paulínia é forte, mas nossa principal preocupação é com a equipe de contingenciamento indicada pela refinaria, que a mantém funcionando um jornadas exaustivas de trabalho desde o dia 2”, afirmou à reportagem Arthuir Ragusa Guimarães, o Bob, dirigente do Sindipetro (Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo).
O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou ontem que “a produção está intacta” apesar da paralisação. Segundo ele, “nenhuma gota” de petróleo deixou de ser produzida devido à greve. A firmação foi dada ao sair de uma reunião no Rio de Janeiro.
O presidente da Petrobras disse ainda que a equipe de contingência, com a contratação de temporários, vai perdurar enquanto durar a greve.
FUP FAZ EXIGÊNCIAS PARA SUSPENDER MOVIMENTO
O departamento jurídico da FUP deu entrada na tarde de quinta-feira no TST (Tribunal Superior do Trabalho), em uma petição direcionada ao ministro Ives Gandra. O documento propõe soluções para o impasse entre a Petrobras e os petroleiros.
Na petição, a categoria reforça que está disposta a negociar e suspender o movimento, desde que a Petrobras suspenda as dispensas coletivas na Fafen, fábrica de fertilizantes do Paraná, e coloque em prática itens do acordo coletivo, como os que tratam da redução do turno de trabalho e da divisão dos lucros.
A categoria também protesta contra a política adotada pelo governo federal, que fecha fábricas (como a Fafen) e vende refinarias. Medidas que, segundo os sindicalistas, vão encarecer ainda mais os combustíveis.
Com Folhapress
Esta matéria foi útil para você?
Newsletter TODODIA
As mais lidas do dia, direto no seu e-mail. Grátis.
Veja também
Rodovia dos Bandeirantes terá operações comboio em Sumaré e São Paulo neste fim de semana
Intervenções ocorrem sábado à noite e domingo pela manhã para obras em passarela e travessia de cabos de alta tensão
Mulheres afastadas do trabalho por violência doméstica passam a receber pagamento do INSS
Pagamento poderá ser concedido por até seis meses a vítimas com medidas protetivas; no interior de SP, foram registrados 111 feminicídios de janeiro a agosto
Atos em apoio a Lula marcam o fim de semana em Campinas e Piracicaba
Ambas as mobilizações ocorrem nas regiões centrais das cidades