
O vice-prefeito de Hortolândia, Cafu Cesar (PSB), falou na quarta-feira (8) pela primeira vez sobre a “Operação Coffee Break” da Polícia Federal e negou irregularidades na compra de materiais didáticos e kits de robótica da empresa Life Tecnologia Educacional Ltda, de Piracicaba.
Cafu deu a declaração ao retornar, após 148 dias afastado, ao gabinete no Paço Municipal Palácio dos Migrantes. Neste período, ele chegou a ficar preso por 30 dias, entre novembro e dezembro do ano passado, quando foi solto por habeas corpus, mas continuou submetido a medidas alternativas.
Já neste ano, o vice-prefeito teve a tornozeleira eletrônica retirada e foi autorizado a retomar as atividades políticas na cidade pelo ministro Carlos Pires Brandão, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), em liminar do último dia 12 de março.
Investigações serão arquivadas, diz vice
Segundo o próprio Cafu Cesar, dos sete inquéritos da “Coffee Break” que envolvem seu nome, quatro já teriam sido arquivados, e os demais devem seguir o mesmo caminho.
“Esse processo, por enquanto, ainda não terminou. E eu tenho muita confiança primeiro em Deus, depois na Justiça, que logo, logo ele se encerra. Falam muita coisa, mas, na verdade, até hoje, em 148 dias, eu não tive uma denúncia, um indiciamento e nenhuma prova de nada. Quer dizer, fiquei preso, fiquei depois com tornozeleira, (o processo) subiu para o STJ e até hoje não existe ainda nenhuma denúncia. De sete processos, quatro já caíram, faltam três. Que vão cair também, tenho muita tranquilidade de dizer que vai cair”, afirmou o vice-prefeito.
A informação sobre o possível arquivamento dos inquéritos não pôde ser confirmada nem negada pela Polícia Federal, que não comenta investigações em andamento.
Vice nega irregularidades nas licitações
Na entrevista desta quarta-feira, Cafu Cesar reforçou que não houve irregularidades nas compras de materiais da empresa Life Educacional pela Prefeitura de Hortolândia entre 2021 e 2025.
Segundo a própria gestão municipal, foram adquiridos R$ 57.944.445,00 em materiais didáticos e kits de robótica da Life no período investigado pela força-tarefa da operação.
A Polícia Federal apura a suspeita de que a licitação tenha sido dirigida, que as compras tenham ocorrido com superfaturamento e que parte dos valores levantados pelo esquema tenha sido paga como propina a agentes públicos de cidades do interior.
“Eu tenho a clareza que em Hortolândia não houve nenhum erro. O processo de licitatório foi feito, o pregão eletrônico, tudo devidamente dentro do que tinha que ser feito. Outras cidades, não posso dizer, porque eu não participe de outras cidades. Agora, em Hortolândia, eu tenho clareza que até o final desse ano tudo se resolve, todos vão estar absolvidos, e todos vão estar voltando ao trabalho normalmente”, declarou.
Prioridades na volta ao cargo
Cafu Cesar também falou sobre as prioridades no retorno ao cargo e citou alinhamento com o prefeito Zezé Gomes (Republicanos).
“A prioridade é a mesma que o prefeito tem, é que a gente volte a trabalhar e continuar a fazer a cidade pensando nos próximos 30 anos. Desde 2017, quando assumimos, nós nunca perdemos o foco de transformar a cidade para os próximos 30 anos. É voltar a buscar articulações estaduais, nacionais, trazer os recursos que precisam vir. É tocar da mesma forma que tocávamos antes. E hoje com muita mais vontade, muita mais determinação, muito mais garra”, afirmou.
Segundo ele, as prioridades da gestão devem ser definidas até o início da próxima semana. “Estou retornando hoje, nós vamos fazer a reunião com o comitê gestor até segunda-feira, aí depois dessa reunião nós vamos dialogar com todos os secretários e, a partir da semana que vem, ver o que é prioritário, o que é de imediato, o que é para médio, o que é para longo prazo e tocar para a frente”, finalizou.
O suposto esquema de desvio de recursos públicos na compra de material didático segue sob investigação da Polícia Federal e do MPF (Ministério Público Federal) no âmbito das novas fases da “Operação Coffee Break”.





