terça-feira, 29 setembro 2026
QUALIDADE DA ÁGUA

Moradores voltam a reclamar de cor e cheiro na água tratada em Hortolândia

Sabesp atribui alterações e períodos de falta d’água às chuvas acima da média que levaram sedimentos ao Rio Jaguari
Por
Vagner Salustiano
Moradores de Hortolândia enviaram vídeos mostrando a água com sedimentos após sair das torneiras. Fotos: Reprodução.

Clientes da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) em Hortolândia voltaram a reclamar, nos últimos dias, da coloração, da presença de sedimentos e do cheiro da água tratada e distribuída pela empresa.

Os problemas são relatados desde o último sábado (26) e também atingem consumidores de Monte Mor e Paulínia. Em alguns períodos, moradores afirmam ter ficado sem água nos cavaletes das ligações domiciliares.

Vídeos mostram água turva e sedimentos acumulados
Vídeos enviados por moradores à reportagem da TV TODODIA mostram água com coloração amarelada, cinza e marrom-esverdeada saindo das torneiras de imóveis em Hortolândia.

Em algumas gravações, os consumidores também mostram sedimentos escuros que se acumulam no fundo e nas laterais de baldes e vasilhas depois que a água permanece parada por alguns segundos.

Uma moradora enviou uma série de vídeos à Rádio Digital Pop para mostrar a situação da água que chega da rua. “Vamos ver como que é a situação da água hoje. Olha, claramente dá para ver que ela está turva e tem um monte de sedimento cinza, um pouco mais claro, mas ainda cheio de sedimentos.  a hora que deixa quieto e que decanta, o que acontece? Fica aquela borra, tanto nas laterais quanto no fundo do balde. Essa é água que a Sabesp insiste em dizer, quando abrimos o chamado de qualidade de água, que ela está potável. Olha a cor da água, se não é um absurdo? Eu tenho que pagar por essa água imunda que está chegando aqui”, afirma a moradora.

Em outro vídeo, a mesma moradora voltou a questionar a qualidade da água recebida em casa. “Veja se tem cabimento receber uma água dessas, na torneira, para higiene pessoal, para fazer alimento – para tudo né? A gente compra a água da Sabesp para tudo, para beber, para comer, para fazer comida, para higienizar alimentos, para lavar roupa, tomar banho, limpar casa. E aí nós recebemos esse lixo de água da Sabesp, uma água imunda, porca, que nem tratada ela foi”, acrescentou a reclamante.

Chuvas alteraram a qualidade do manancial
Segundo a Sabesp, a situação atingiu consumidores de Hortolândia, Paulínia e Monte Mor e foi provocada por chuvas acima da média registradas em setembro. O volume elevado de chuva teria levado excesso de sedimentos ao Rio Jaguari, reduzido a capacidade de produção do Sistema Integrado Jaguari e afetado o abastecimento na área atendida. A captação da água bruta que depois é tratada e distribuída nessas cidades é feita no Rio Jaguari, em Paulínia.

De acordo com a Sabesp, as manutenções necessárias nos equipamentos afetados pelas chuvas foram concluídas na segunda-feira (28). A empresa previa que o abastecimento seria normalizado até o fim da terça-feira (29).

A companhia informou ainda que, após as intervenções e a retomada do sistema, a água pode apresentar alterações momentâneas de aspecto. Nos últimos dias, caminhões-pipa atenderam locais públicos prioritários, como hospitais.

A Sabesp também pediu a colaboração da população para o uso consciente da água durante o período.

Região já teve outros episódios neste ano
Este é o quarto episódio de alterações na cor e no cheiro da água distribuída pela Sabesp nas cidades da região neste ano.

Ocorrências semelhantes foram registradas após alterações na qualidade da água do Jaguari detectadas nos dias 18 e 24 de abril e 20 de julho.

Naquelas ocasiões, a empresa adotou medidas para melhorar o aspecto da água tratada, entre elas o uso de carvão ativado na ETA (Estação de Tratamento de Água) Hortolândia.

Cetesb instalou sonda automática no Jaguari
Em abril, a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) instalou uma sonda automática multiparâmetro na captação de água bruta do Rio Jaguari para fazer medições contínuas.

O equipamento monitora parâmetros como pH, oxigênio dissolvido, turbidez, condutividade elétrica e temperatura.

Segundo a agência ambiental, o objetivo é agilizar a adoção de medidas sempre que forem identificadas variações na qualidade da água do manancial.

Sonda instalada pela Cetesb monitora continuamente a qualidade da água bruta no Rio Jaguari. Foto: Divulgação/Cetesb.

Como reclamar com a Sabesp?
A concessionária orienta que, em caso de alteração na água tratada, a população entre em contato com a Central de Atendimento pelo telefone 0800 055-0195, pelo WhatsApp (11) 3388-8000 ou pela Agência Virtual, no site www.sabesp.com.br.

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