Moradores das proximidades da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) de Hortolândia realizaram, na última sexta-feira (2), mais uma manifestação contra o odor emitido pela unidade localizada no Jardim Jatobá e operada pela Sabesp.
Inaugurada em 2009, a estação é alvo de reclamações recorrentes de moradores da região, que relatam forte cheiro proveniente do sistema de tratamento de esgoto, baseado em lagoas de aeração abertas.

Durante o protesto, moradores, alguns utilizando máscaras, fixaram faixas no portão da ETE. Entre as mensagens exibidas estavam pedidos por “ar limpo” e críticas aos impactos do mau cheiro na saúde da população.
Questionamentos à Cetesb
Segundo o empresário Erick Soares de Oliveira, que participou da manifestação, o grupo tem acionado a Cetesb ao longo do último ano para registrar as queixas.
De acordo com ele, nos meses de agosto, setembro e outubro, as vistorias apontavam falhas na operação da estação. Já a partir de novembro e dezembro, os relatórios teriam passado a indicar ausência de irregularidades, apesar da permanência do odor na região.
Um relatório da Arsesp, divulgado em agosto de 2025, apontou problemas operacionais na ETE Hortolândia que poderiam contribuir para os odores, como a ausência de manejo adequado do lodo gerado no processo. O documento também indicou que a vazão média da estação, de 422 litros por segundo, estaria acima da capacidade nominal de 315 litros por segundo.
Posicionamento da Sabesp e da Prefeitura
Em nota divulgada nesta segunda-feira (5), a Sabesp informou que vem adotando uma série de ações para reduzir os odores gerados pelo tratamento de esgoto, seguindo um cronograma previamente acordado com a Prefeitura.
Já a Prefeitura de Hortolândia informou que acompanha e fiscaliza as medidas anunciadas pela concessionária, mas destacou que o prazo anunciado em setembro para a eliminação total do mau cheiro não foi cumprido. Diante disso, o município afirmou que tem cobrado maior atuação da Cetesb e da Arsesp na fiscalização da unidade.

Investimentos anunciados
Em outubro de 2025, durante vistoria realizada pela deputada estadual Ana Perugini, a Sabesp informou que estava finalizando obras de limpeza, retirada de lodo e modernização do sistema de aeração da estação.
Segundo a empresa, os investimentos somaram R$ 28 milhões e incluíram a remoção completa do lodo das lagoas aeradas e de decantação, além do polimento de nove lagoas que recebem o esgoto. Também estava em fase final a implantação de um novo sistema de aeração, como parte do processo de modernização da unidade.
Na ocasião, a Sabesp afirmou que os odores teriam sido reduzidos em cerca de 70%, índice que agora é contestado pelos moradores do entorno da estação.





