
A adolescente de 15 anos que ficou gravemente ferida após uma queda de motocicleta na Avenida Carlos Lacerda, na Vila União, em Campinas, morreu na segunda-feira (2), depois de permanecer internada por mais de dez dias. Luana Cristina Cabral teve a morte encefálica confirmada pela equipe médica e foi sepultada nesta terça-feira (3).
O caso gerou comoção entre familiares e moradores do bairro, onde a jovem era conhecida.
Dinâmica do acidente
Segundo a Polícia Civil, o acidente ocorreu na madrugada de 21 de janeiro, por volta de 0h30. Luana estava na garupa de uma motocicleta conduzida por um rapaz de 22 anos, que ela havia conhecido pouco antes em uma adega.
O boletim de ocorrência aponta que o condutor trafegava em alta velocidade, perdeu o controle da motocicleta e colidiu contra um poste. Uma câmera de segurança registrou o momento do impacto.
Segundo o registro policial, o motociclista não possuía habilitação para conduzir motocicleta. No momento do acidente, a adolescente também não utilizava capacete.
Relato da Polícia Civil
O delegado titular do 6º Distrito Policial de Campinas, Elton Costa, detalhou o que foi apurado até o momento pela investigação. “Elas estavam numa praça, eram por volta de quatro meninas no começo da noite, conversando com familiares, quando esse rapaz, acompanhado de mais um, chegou de motocicleta, começou a conversar com elas e, em seguida, uma das moças deu uma volta com ele de moto pela rua; depois, a vítima também manifestou interesse e saiu com ele para passear, a família ficou apreensiva porque ela demorou a retornar e só teve informações do que havia ocorrido praticamente na manhã do outro dia, quando, após buscas nos hospitais da cidade, soube que ela estava internada e que tinha acontecido um acidente com esse rapaz”.
Socorro e atendimento médico
A adolescente foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e encaminhada ao Hospital da PUC-Campinas, onde deu entrada com sangramento intracraniano, fratura no fêmur direito, além de fratura e múltiplas escoriações no rosto.
O motociclista sofreu fratura na perna direita e foi atendido pelo Samu, sendo encaminhado à UPA Campo Grande. A motocicleta, uma Yamaha MT-03, foi apreendida, já que o condutor não possuía habilitação.
Álcool não foi constatado
A Polícia Civil informou que não foi possível confirmar se o motociclista havia ingerido bebida alcoólica antes do acidente. Segundo o delegado, o condutor foi ouvido apenas dias depois, o que inviabilizou a realização de exame que pudesse comprovar ingestão de álcool.
“Ele foi ouvido muito tempo depois dos fatos e não havia qualquer possibilidade de um exame hábil a comprovar ingestão de álcool; as meninas foram ouvidas como testemunhas e questionadas especificamente sobre isso, e nenhuma indicou sinais de embriaguez, e ele, ao ser interrogado, também disse que não fez uso de álcool, então não conseguimos obter outra prova que demonstrasse esse fato e, pelo menos neste momento, não temos nada que indique que ele tenha feito uso de álcool e que, por conta disso, tenha propiciado o acidente.”
Enquadramento do crime
Com a confirmação da morte da adolescente, o caso passou de lesão corporal culposa na direção de veículo automotor para homicídio culposo na direção de veículo automotor, com agravantes.
O delegado afastou, até o momento, a possibilidade de classificação do crime como doloso. “Com a confirmação do óbito, mensuramos a tipificação do crime. Trata-se de homicídio culposo na direção de veículo automotor, com o agravante de que ele não possuía habilitação. Não há elementos que indiquem dolo, ou seja, não houve intenção de matar. Foi uma conduta imprudente, mas ele não desejava de forma alguma a morte da vítima, o que afasta a classificação como homicídio doloso.”
As investigações seguem em andamento pela Polícia Civil.





