Uma cirurgia realizada em morador de Mombuca no Hospital Municipal de Nova Odessa tem causado polêmica nas redes sociais e motivou um requerimento de autoria do vereador Paulo Bichof (Podemos) porque, segundo denúncia feita por um médico da unidade, o procedimento era eletivo, ou seja, não tinha urgência, e não poderia ser feito no hospital. A Prefeitura de Nova Odessa negou irregularidades e afirmou que o caso foi classificado pelos médicos de plantão como urgente quando o paciente chegou à unidade.
Conforme a denúncia feita por um médico anestesista do hospital nas redes sociais e também ao TODODIA, um cirurgião da unidade teria viabilizado a cirurgia de um morador de Mombuca no hospital.
“Esta mesma cirurgia foi tentada pelo mesmo cirurgião ao mesmo paciente no ano passado, o que foi negado pelo secretário de Saúde da época por se tratar de um paciente de outro município, contrariando as regras do SUS (Sistema Único de Saúde). Com isso, ele colocou este paciente à frente da fila dos pacientes da cidade de Nova Odessa, o que provocou indignação dos funcionários que possuem parentes na fila de espera para cirurgias eletivas que estão suspensas por causa da pandemia”, disse o profissional à reportagem.
A mesma denúncia foi feita pelo médico nas redes sociais, o que motivou um requerimento de autoria do vereador Paulo Bichof.
“Isso está totalmente irregular. É fato, a pessoa não é daqui mesmo. Se possível, vamos convocar o médico responsável para prestar os esclarecimentos”, disse o parlamentar. O documento foi protocolado esta semana e deve ser discutido na próxima sessão.
FATO
Citado pelo vereador e pelo médico, o ex-secretário de saúde do município, Vanderlei Cocato, confirmou ao TODODIA os relatos de que a cirurgia para o mesmo paciente foi barrada no ano passado.
“Chegou o pedido para fazer a cirurgia em nosso centro cirúrgico, a equipe me procurou, e não autorizei. A gente tava com dificuldade para atender nossos pacientes, no meio da pandemia, seria incoerente autorizar nada que não fosse urgência e emergência. Se fosse o caso, alguém que passou pela cidade, como o hospital é porta aberta, teria que avaliar e fazer ou encaminhar para o hospital de referência. Mas era uma cirurgia eletiva, era uma hérnia. O paciente não tem parente na cidade, veio pra cidade pra isso”, afirmou Cocato.
NOTA
Por meio da assessoria de imprensa, a Prefeitura de Nova Odessa negou qualquer irregularidade, afirmando que não se tratava de uma cirurgia eletiva e que “cirurgias de emergência devem ser realizadas imediatamente por qualquer hospital do SUS no país”.
“O paciente em questão chegou ao HMNO sentindo muitas dores e o caso foi imediatamente classificado pelos plantonistas como de emergência. Foi uma hérnia encarcerada, uma cirurgia de urgência. O paciente nos procurou pois estava com muita dor. A cirurgia foi super difícil, demorada, sangrou muito, mas graças a Deus conseguimos resolver o problema do paciente. O anestesista (que tornou o caso público) sequer estava no local no dia da cirurgia, e o anestesista que estava presente autorizou comigo a cirurgia, porque era realmente uma urgência. Eu, como médico, apenas fiz o que me compete, que é salvar uma vida independente de onde mora o paciente”, informa nota assinada pelo cirurgião acusado de cometer a irregularidade.