Abril, mês de conscientização sobre o autismo, tem em Paulínia um exemplo prático de inclusão. No grupo Loucos por Patins, que oferece aulas gratuitas no Theatro Municipal, crianças com e sem transtorno do espectro autista compartilham o mesmo espaço em atividades voltadas ao desenvolvimento, acolhimento e convivência.
Mais do que aprender a patinar, os alunos encontram um ambiente que favorece a socialização e o fortalecimento de habilidades importantes no dia a dia.
Inclusão na prática
A proposta do projeto vai além da atividade física. O convívio entre crianças com e sem diagnóstico contribui para a socialização e para o desenvolvimento de habilidades.
Pai atípico e também instrutor do grupo, Arthur Ferreira dos Santos acompanha esse processo de perto. O filho dele, Otto, foi diagnosticado com autismo ainda pequeno. “Você recebe a notícia e fica meio pra baixo. Mas depois entende que tem que cuidar”, relembra.
Segundo Arthur, a rotina da criança exige organização e adaptação constante. “Se muda um detalhe, já dá trabalho pra retomar o dia, é bem metódico”, explica.

Mudanças com a patinação
De acordo com Arthur, os avanços no comportamento do filho começaram a aparecer com a prática da patinação. “Virou uma chave… é outra criança após a patinação”, afirma. Ele também relata mudanças na disciplina e no convívio. “Hoje já consigo dar comandos… ajudou na disciplina, no convívio.”
A socialização, antes limitada, também evoluiu. “Ele não tinha convívio com crianças… hoje já consegue abordar, já tem amigos.”
Desenvoltura e autonomia
Otto, de cinco anos, deu sinais dessa evolução durante a gravação da reportagem da TV TODODIA, ao pegar o microfone e começar a “entrevistar” outras pessoas do grupo. Segundo o relato, a atitude mostrou desenvoltura e vontade de se comunicar. “Eu faço muitos amigos, eu gosto de patinar”, contou o menino.
Situações como essa mostram como o ambiente pode estimular o desenvolvimento motor, a autonomia e a expressão das crianças.
Impacto na rotina das famílias
Os efeitos positivos da atividade também são sentidos pelos pais. Jonathan de Almeida Araújo, pai de duas meninas autistas, afirmou que a rotina da família melhorou após a entrada das filhas no projeto. “A gente também passa por dificuldade, ansiedade, momentos difíceis”, disse.
Segundo ele, os benefícios apareceram no comportamento e no cotidiano. “Ajuda elas… e ajuda a gente também. Até como pai, alivia.” Jonathan também destacou mudanças no sono e na socialização. “Elas dormem melhor… o comportamento mudou.” “Hoje já fazem amizade, conversam mais, mudou muito.”
Esporte como apoio
De acordo com especialistas, a prática de atividades físicas pode contribuir para o desenvolvimento de pessoas com autismo, ajudando na coordenação motora, na regulação emocional e na interação social.
Esportes que envolvem equilíbrio, repetição de movimentos e foco, como a patinação, tendem a estimular diferentes áreas do cérebro e podem atuar como complemento às terapias tradicionais.
Vivência além do esporte
Para as famílias, a experiência no projeto vai além da prática esportiva. “Ser pai dele é especial, o autismo traz uma pureza muito grande”, resume Arthur.
Ao longo dos treinos, o projeto mostra que inclusão passa pelo respeito ao tempo de cada criança, pela convivência com as diferenças e pela valorização de cada avanço.





