A Polícia Militar afastou os dois agentes envolvidos na ação que resultou na morte de Gabriel Júnior Alves Oliveira da Silva, de 22 anos, atingindo por um disparo na cabeça durante uma ocorrência na Vila Sônia, em Piracicaba, nesta terça-feira (1º). De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), foi aberto um inquérito policial militar para apurar os fatos. A SSP não informou um prazo para conclusão dos trabalhos.
De acordo com a Polícia Civil, Gabriel foi abordado pelos policiais em razão de um “volume suspeito”. Familiares e membros da comunidade alegam que ele estava segurando um refrigerante. Sua esposa, Rebeca Braga, grávida de oito meses, confirmou que o marido havia saído para comprar um refrigerante enquanto ela comprava milho.

Este caso representa a vigésima morte em confrontos com a polícia entre janeiro e o primeiro dia de abril, nas cidades de Campinas, Piracicaba, Hortolândia, Sumaré e Santa Bárbara d’Oeste.
Rebeca Braga também relatou ter sofrido agressões por parte dos policiais: “Ele me puxou, me empurrou contra a parede e me derrubou no chão”. Nesse momento, Gabriel já estava sendo agredido pelos policiais, segundo o primo da vítima, Wesley Rodrigo: “Eles começaram a revistá-lo e não encontraram nada. Então o agarraram por trás e começaram a dar socos nele”.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Piracicaba, Gustavo Henrique Pires, que presta assistência à família de Gabriel, classifica a ação da polícia como desproporcional.
“Nosso posicionamento, independentemente de ter havido ou não a tentativa de atirar uma pedra, é que um tiro letal na cabeça foi totalmente desproporcional”’, disse.

O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana repudiou o ocorrido em nota: “Não é legítimo ou admissível que os treinamentos e táticas de defesa da polícia não utilizem medidas de gradação para afastar o perigo ao agente. Não há justificativa para que um agente de segurança pública execute um jovem que tinha uma pedra na mão com um tiro fatal, quando existem técnicas e armas não letais que poderiam ser utilizadas para afastar a injusta agressão”.
“A instituição reforçou que não tolera desvios de conduta ou excessos e que, constatadas irregularidades, os envolvidos serão devidamente responsabilizados. O caso também está sendo investigado pela 3ª Delegacia de Homicídios do Deic do Deinter 9, que prossegue com as diligências para esclarecer os fatos” conforme informou a SSP.