sábado, 7 março 2026

Projeto em Paulínia oferece acolhimento psicológico a mulheres vítimas de violência

A Delegacia de Defesa da Mulher de Paulínia funciona 24 horas e integra a rede de proteção às mulheres no município. Foto: Thayla Nogueira/TV TODODIA

O Projeto Ressignificando Vidas retomou, no mês de março, os atendimentos gratuitos voltados a mulheres vítimas de violência doméstica em Paulínia. A iniciativa oferece apoio psicológico e orientação especializada para mulheres que buscam ajuda após situações de agressão.

Criado em 2022 por meio de uma parceria entre a Polícia Civil e o Centro Universitário de Paulínia (Unifac), o projeto funciona junto à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e tem como objetivo oferecer acolhimento humanizado e acompanhamento psicológico para vítimas de violência doméstica e familiar.

De acordo com a delegada da DDM de Paulínia, Dra. Bárbara Monteiro, o atendimento busca ajudar mulheres a compreenderem a situação que vivem e romperem o ciclo de violência.

“Esse projeto surgiu através de uma iniciativa da Unifac junto com a Polícia Civil para atender mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, acolhê-las e prestar um atendimento humanizado, com consultas psicológicas, para ajudá-las a superar o ciclo de violência e entender o valor e o respeito que elas merecem”, explica.

Atualmente, o projeto atende cerca de 50 mulheres por semestre. As participantes geralmente chegam ao programa após registrarem boletim de ocorrência por crimes relacionados à Lei Maria da Penha.

“São vítimas que comparecem até nós por algum crime de violência doméstica ou familiar. Elas registram o boletim de ocorrência, podem pedir medida protetiva e então oferecemos o projeto”, afirma a delegada.

Atendimento psicológico
O acompanhamento é realizado por estagiários de psicologia da Unifac, sempre supervisionados por profissionais da área. Cada participante passa por uma série de encontros voltados ao acolhimento, autoconhecimento e fortalecimento da autonomia.

Segundo a supervisora dos estagiários, Sandra Regina da Silva, o atendimento também busca orientar as vítimas sobre os diferentes tipos de violência e incentivar caminhos para independência financeira.

“São dez atendimentos em que orientamos as vítimas sobre violência doméstica, autoestima e também sobre possibilidades de trabalho. Muitas mulheres dependem financeiramente do agressor, então o atendimento ajuda a ampliar essa visão e mostrar novas oportunidades”, explica.

Durante o acompanhamento, as profissionais também trabalham o chamado ciclo da violência, quando agressões são seguidas por períodos de reconciliação, o que muitas vezes dificulta o rompimento da relação abusiva.

“A vítima acaba ficando nesse ciclo repetitivo. Depois da agressão, o agressor passa a tratar bem e ela volta, e depois a violência acontece novamente. O nosso trabalho é acolher, ouvir e ajudar essa mulher a perceber que pode construir uma história diferente”, afirma Sandra.

Histórias de transformação
O impacto do projeto também aparece nos relatos das próprias participantes. A auxiliar de limpeza Clélia Regina de Lima Constância conheceu o programa após um episódio de conflito familiar que levou ela e a filha até a delegacia.

As duas passaram a participar das atividades e, segundo ela, a mudança foi significativa.

“O projeto ajudou bastante. Minha filha era muito agressiva depois do que aconteceu na família e mudou da água para o vinho. Hoje ela está bem melhor”, conta.

Clélia também decidiu participar dos encontros e afirma que a experiência trouxe reflexões importantes.

“Eu também participei e foi uma mudança de vida para mim. Aqui a gente aprende com a história das outras, uma apoia a outra e a gente percebe que pode melhorar.”

Rede de apoio
Além do acompanhamento psicológico, o projeto também fortalece a rede de apoio entre as participantes, que compartilham experiências e encontram acolhimento no grupo.

Os atendimentos acontecem aos domingos, das 14h às 17h, e às quartas-feiras, das 19h às 22h. O agendamento deve ser feito presencialmente na Delegacia de Polícia de Paulínia, localizada na Avenida Prefeito José Lozano Araújo, nº 1.551, no bairro Nossa Senhora Aparecida.

A Delegacia de Defesa da Mulher de Paulínia funciona 24 horas e integra a rede de proteção às mulheres no município, oferecendo atendimento especializado, registro de ocorrências e encaminhamentos necessários em casos de violência doméstica.

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