sexta-feira, 13 fevereiro 2026
OPERAÇÃO COFFEE BREAK

Entenda a operação da PF que prendeu o vice-prefeito de Hortolândia e cumpriu mandados na cidade e em Sumaré, Limeira e Piracicaba

Ação da Polícia Federal investiga fraudes em licitações e desvios de recursos públicos; contratos de educação de gestões anteriores estão sob análise
Por
Vagner Salustiano

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (12) a Operação Coffee Break, que apura supostas fraudes em licitações públicas, desvios de recursos e corrupção envolvendo contratos nas áreas de educação e gestão pública em Sumaré e Hortolândia. As investigações apontaram indícios de crimes contra a Administração Pública, incluindo fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, além de superfaturamento e tráfico de influência.

A ação mobilizou equipes em São Paulo, Paraná e no Distrito Federal, e incluiu 50 mandados de busca e apreensão e seis de prisão preventiva, expedidos pela 1ª Vara Federal de Campinas.

Na Região Metropolitana de Campinas (RMC), foram 19 mandados de busca e três de prisão, cumpridos nas cidades de Hortolândia, Sumaré, Limeira e Piracicaba. A operação contou com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Vice-prefeito de Hortolândia é preso
O vice-prefeito de Hortolândia, Cafú César (PBS), foi detido pela Polícia Federal durante o cumprimento dos mandados. A Prefeitura confirmou a prisão. Também houve buscas e apreensões no Paço Municipal, sede da Prefeitura.

Em nota oficial, a administração informou que “a prisão do vice-prefeito foi confirmada pela Secretaria de Assuntos Jurídicos” e que a gestão acompanha o caso. Uma segunda servidora municipal, ligada à área de contratos, também teria sido conduzida à sede da PF em Campinas, mas a informação ainda não foi confirmada pela Prefeitura. A Polícia Federal não deu detalhes sobre as prisões, apenas sobre a operação em si.

Segundo a PF, as investigações apuram irregularidades em licitações e contratos firmados para o fornecimento de materiais didáticos e de robótica em redes municipais de ensino.

A reportagem TV TODODIA entrou em contato com Ralph Tórtima, advogado que assumiu a defesa de Cafú. Ele informou que “está solicitando acesso aos autos e que somente se manifestará após conhecimento das investigações”.

Polícia Federal não informou motivo para a condução de Cafu Cesar para Campinas. Foto: Vagner Salustiano/TV TODODIA

Mandados e apreensões em Sumaré
Em Sumaré, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão no Paço Municipal, na Rua Dom Barreto, e no Arquivo Público Municipal, na Rua Antônio Pereira de Camargo, ambos vinculados à Prefeitura.

Os policiais recolheram documentos relacionados a contratos de fornecimento de livros e kits de robótica firmados em 2020, durante a gestão anterior. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), há indícios de superfaturamento, corrupção ativa e passiva e tráfico de influência.

De acordo com a PF com o objetivo de apurar supostas práticas ilegais envolvendo fraudes em licitações públicas. Foto: Polícia Federal

Prefeitura de Sumaré diz colaborar e nega envolvimento da atual gestão
Em nota, a Prefeitura de Sumaré afirmou que o procedimento “tem como foco contratos firmados em 2020, referentes à gestão anterior, e não diz respeito à atual administração”.

A nota destaca ainda que o município “colabora integralmente com as autoridades, disponibilizando toda a documentação e informações solicitadas” e que “a medida possui caráter exclusivamente investigativo, sem qualquer juízo de valor sobre eventuais responsabilidades”.

A atual gestão reafirmou “compromisso com a ética, a transparência e a boa administração dos recursos públicos”, informando que todos os serviços municipais seguem funcionando normalmente.

Buscas e apreensões de documentos acontecerem no Paço e no Arquivo. Foto: Vagner Salustiano/TV TODODIA

Outras cidades e crimes investigados
Na região de Piracicaba, a PF cumpriu oito mandados de busca e um de prisão, enquanto em Limeira houve buscas em endereços ligados a contratos públicos.

De acordo com a CGU, as investigações identificaram indícios de crimes contra a administração pública, como fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, superfaturamento e lavagem de dinheiro. Também são apurados peculato, tráfico de influência, contratação direta ilegal e formação de organização criminosa.

Apuração é sobre compra de material de robótica para a rede municipal em anos anteriores. Foto: Prefeitura de Sumaré

Sem relação com a Operação Overclean
A Prefeitura de Sumaré ressaltou que a ação não tem relação com a Operação Overclean, outra investigação da Polícia Federal que apura supostos desvios e fraudes em contratos de limpeza pública em estados da região Centro-Oeste.

Nesse caso, o secretário municipal de Educação de Sumaré, Danilo de Azevedo Costa, foi alvo de busca e apreensão e está afastado do cargo desde o dia 6 de novembro. Ele assumiu o posto apenas neste ano, já durante a atual gestão.

Próximos passos da investigação
As pessoas presas serão interrogadas pela Polícia Federal e poderão responder por crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O MPF e a CGU seguem analisando o material apreendido para detalhar o envolvimento dos investigados e determinar se houve prejuízo aos cofres públicos.

*Atualizado às 13h53.

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