quinta-feira, 5 março 2026
MUDANÇA

Sancetur e Consórcio Grande Campinas vencem licitação e assumirão transporte público municipal

Após décadas com os mesmos operadores, sistema municipal terá troca total das empresas responsáveis pelos ônibus
Por
Guilherme Pierangeli
Sesão foi realizada na sede da B3, em São Paulo. Foto: Carlos Bassan/PMC

A licitação do transporte público coletivo de Campinas definiu nesta quinta-feira (5), em sessão realizada na sede da B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), em São Paulo, as empresas responsáveis pela operação do sistema municipal de ônibus pelos próximos 15 anos. A Sancetur venceu o Lote Sul com proposta de tarifa de remuneração de R$ 9,54 por passageiro equivalente, deságio de 14,9%, enquanto o Consórcio Grande Campinas venceu o Lote Norte com tarifa de R$ 9,49, deságio de 19,3%.

O resultado marca uma mudança completa no sistema de transporte da cidade. As atuais concessionárias que operam os ônibus em Campinas não venceram a disputa e serão substituídas quando o novo contrato entrar em vigor.

O processo encerra uma tentativa de renovação da concessão que se arrastava há anos e enfrentou suspensões do TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo), disputas judiciais e editais anteriores sem interessados. O contrato da nova concessão tem duração de 15 anos e valor estimado em aproximadamente R$ 11 bilhões.

Sessão de abertura dos envelopes
A sessão pública de abertura dos envelopes começou por volta das 14h e durou cerca de duas horas. O primeiro lote analisado foi o Lote Sul, disputado pela Sancetur, pelo Consórcio Andorinha e pelo Consórcio VCP Mobilidade.

A tarifa de remuneração inicial desse lote era de R$ 11,21. Após a abertura das propostas e apresentação de lances, a Sancetur ofereceu tarifa de R$ 9,54 e venceu a disputa, com deságio de 14,9%.

Na sequência foi analisado o Lote Norte, disputado pela Sancetur, pelo Consórcio Grande Campinas e pelo Consórcio Mov Campinas. A tarifa de referência era de R$ 11,76. Após a rodada de lances, o Consórcio Grande Campinas apresentou proposta de R$ 9,49 e venceu a concorrência, com deságio de 19,3%.

A tarifa de remuneração utilizada no julgamento da licitação é diferente da tarifa pública paga pelos passageiros. O valor considera os custos da operação e os investimentos previstos no sistema.

Disputa foi acirrada no Lote Norte, com vários lances sendo dados. Foto: Reprodução/B3

Sistema atual será totalmente substituído
Atualmente, o transporte coletivo de Campinas é operado por empresas tradicionais do sistema municipal, ligadas principalmente ao Grupo Belarmino, que há décadas atua na cidade com empresas como a VB1 e VB3.

Com a nova concessão, essas empresas e outras operadoras como Viação Campos Elíseos, Viação Itajaí e Viação Onicamp deixam o sistema após o período de transição previsto no contrato.

A licitação reorganiza o sistema em dois grandes lotes operacionais e estabelece novas exigências de desempenho, investimento e renovação da frota.

Quem é a Sancetur
A Sancetur (Santa Cecília Turismo Ltda.), que opera sob a marca SOU Transportes, pertence ao Grupo Chedid e atua no transporte urbano em diversas cidades brasileiras, principalmente no interior paulista.

A empresa opera sistemas municipais em mais de 20 cidades, incluindo municípios como Indaiatuba, Valinhos, Americana, Limeira, Atibaia, São Carlos e Presidente Prudente, além de cidades do litoral paulista.

Em Campinas, ficará responsável pelo Lote Sul, que abrange as regiões Leste, Sul e Sudoeste da cidade, incluindo áreas como Ouro Verde, Jardim Campo Belo, DICs, Vila União e bairros próximos ao distrito de Sousas.

Consórcio Grande Campinas assume o Lote Norte
O Lote Norte será operado pelo Consórcio Grande Campinas, formado pelas empresas Rhema Mobilidade Ltda. (líder), Transporte Coletivo Grande Marília Ltda., Nova Via Transportes e Serviços Ltda., WMW Locação de Veículos e Serviços de Transportes Ltda. e Auto Viação Suzano Ltda.

A área de operação inclui regiões Norte, Oeste e Noroeste de Campinas, abrangendo bairros como Campo Grande, Satélite Íris, Jardim Florence, Parque Valença, Jardim Bassoli, Jardim Garcia e áreas próximas ao distrito de Barão Geraldo.

Modelo da nova concessão
O novo contrato prevê investimentos de cerca de R$ 1,7 bilhão na renovação da frota de ônibus ao longo dos 15 anos de concessão. Desse total, aproximadamente R$ 900 milhões deverão ser aplicados nos primeiros cinco anos e R$ 800 milhões na década seguinte.

Também estão previstos cerca de R$ 1,9 bilhão em tecnologia embarcada e infraestrutura, incluindo modernização de terminais e estações e sistemas de monitoramento da operação.

A concessão inclui a operação das linhas convencionais, do BRT (Bus Rapid Transit), do PAI (Programa de Acessibilidade Inclusiva), destinado ao transporte de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida severa, além da bilhetagem eletrônica e do gerenciamento operacional do sistema.

*Atualizado às 16h14

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