
A manhã do sábado (28) em Santa Bárbara d’Oeste foi marcada por um encontro de gerações na Avenida Corifeu de Azevedo Marques. O encerramento do mês “SBO por Elas” trouxe para a rua não apenas números de atendimentos, mas histórias de vida que reforçam a necessidade de união no combate à violência de gênero.
Vozes que inspiram
O evento começou dando voz a quem sentiu na pele a evolução do papel da mulher na sociedade. Para a dona de casa Ângela Maria Simão, de 65 anos, a caminhada é um símbolo de um novo tempo.
“No meu tempo a gente não tinha essa liberdade de falar, de se unir assim. Estar aqui hoje, com toda essa gente, é ver um sonho realizado. Eu caminho pelas que vieram antes e pelas que estão chegando agora. Gostei muito das atividades que encontrei, principalmente a dança”, relatou Ângela
A educação e o exemplo para o futuro também estiveram presentes no passo de Camila Pereira Anselmo, pedagoga, que levou a filha Lorena, de 7 anos, para o trajeto.
“Eu fiz questão de trazer minha filha. Ela precisa crescer sabendo que o respeito é o básico e que a cidade dela cuida dela”, afirmou Camila.
A pequena Lorena completou com pureza: “Eu tô achando muito legal caminhar com a mamãe para todo mundo ser amigo e ninguém brigar!”
Para a universitária e estudante de pedagogia Maria Carolina Bugno, o evento é um laboratório social: “É um momento de conscientização que vai além da sala de aula. Ver a teoria do respeito sendo aplicada na rua é fundamental para a nossa formação”, destacou.
Um ciclo de cuidado e proteção
É com esse fôlego, que atravessa gerações, que Santa Bárbara d’Oeste encerrou o mês de março. A caminhada “Eles por Elas”, realizada pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), com trajeto do Santa Bárbara Mall até o Parque dos Ipês, não foi apenas um percurso de três quilômetros; foi o fechamento de um ciclo de cuidado que envolveu milhares de barbarenses.
O evento, organizado pelo Fundo Social de Solidariedade, encerrou a segunda edição do “SBO por Elas”. Durante 21 dias, a prefeitura ofereceu desde exames preventivos até orientações jurídicas. O prefeito Rafael Piovezan (PL) destacou as ações
“A valorização da mulher é uma política pública prioritária. Foram mais de três mil exames de saúde realizados neste mês. Essa caminhada celebra uma cidade que coloca a dignidade e a saúde feminina no topo das atenções”, afirmou o chefe do Executivo.
A primeira-dama e presidente do Fundo Social, Fernanda Rizzo Piovezan, reforçou o caráter acolhedor da iniciativa: “O nosso objetivo sempre foi o acolhimento. Ver a adesão das famílias hoje mostra que construímos uma rede de apoio forte e real.”
A importância acadêmica e social também foi ecoada por estudantes como Emanuele Félix Reis: “Eventos assim mostram que a luta pelos direitos é constante e precisa do apoio de toda a comunidade escolar e acadêmica.”
O compromisso é deles
O nome da caminhada, “Eles por Elas”, traz um recado direto: o combate à violência e ao machismo não é uma tarefa exclusiva das mulheres. Ver tantos homens presentes, muitos vestidos de branco, simboliza um compromisso público de que a segurança e o respeito dentro de casa são responsabilidades coletivas.
Na linha de frente dessa proteção, a segurança pública reforça que a conscientização é o primeiro passo para reduzir os índices de violência. Juliana Aparecida Tavares da Silva Rodrigues, subcomandante da GCM (Guarda Civil Municipal) e presidente do Conselho Municipal da Mulher, explica a estratégia.
“A prevenção está ganhando força. O homem precisa ser nosso aliado para que a Patrulha Maria da Penha tenha, cada vez menos, trabalho a fazer. Chamar a responsabilidade para si é o que muda o jogo”, enfatizou Juliana;
União institucional
O apoio da Câmara Municipal e da OAB reforçou o caráter educativo do evento, focando no combate à misoginia e no fortalecimento dos direitos. O presidente da Câmara, Júlio Cesar Kifú (PL). destacou o papel do Legislativo.
“Nesse evento encontrei várias amigas da comunidade que estão envolvidas e também participaram da iniciativa. Consideramos que essa representatividade das mulheres é necessária para que possamos melhorar as políticas públicas em prol das mulheres”, afirmou Kifú.





