segunda-feira, 19 janeiro 2026
SAÚDE

Com apoio e acompanhamento, moradores encontram caminho para deixar o tabagismo

Para participar o interessado deve procurar uma UBS mais próxima e preencher um formulário de inscrição
Por
Nicoly Maia
Entre 40% e 50% dos participantes conseguem deixar de fumar ao final da participação nos grupos. Foto: Reprodução

Moradores de Santa Bárbara d’Oeste têm encontrado no programa “Saúde Sem Tabaco” um caminho coletivo para enfrentar o tabagismo. A iniciativa é promovida no Centro Social Urbano e já formou o primeiro grupo de 2026, que inicia os encontros nesta segunda-feira (19), após adesão dos interessados ao longo do último ano.

Em 2025, três grupos foram realizados no município. Entre os participantes, 21 pessoas concluíram ao menos uma das etapas do programa e relataram ter parado de fumar após o encerramento das atividades.

Mudança no perfil dos participantes
Segundo a farmacêutica Maria Michico Watanabe Detoni, que acompanha os grupos, desde a criação do projeto em 2011 o perfil dos participantes mudou ao longo dos anos, especialmente em relação à idade e ao gênero.

“A princípio, a predominância era masculina. Agora, a gente percebe que a predominância é feminina. Antes, pessoas acima de 60 anos eram maioria. Hoje, a gente percebe que pessoas abaixo de 59 anos formam a maior parte do grupo. Independentemente de classe social ou nível de escolaridade, essa mudança na relação entre idade e sexo ficou bem evidente”, explica.

Como participar do programa
Para integrar o grupo, o interessado deve procurar uma UBS (Unidade Básica de Saúde) mais próxima e preencher um formulário de inscrição. A equipe multidisciplinar reforça que o primeiro passo para o sucesso do tratamento é a decisão pessoal de parar de fumar, sem imposição externa.

Após as inscrições, os participantes são convocados conforme a formação das turmas. Em casos específicos, como pacientes que precisam interromper o tabagismo com urgência para a realização de cirurgias, há prioridade no atendimento.

Impacto real 
Estela Bernardino da Rocha Força, de 59 anos, conta que soube do programa por meio de um aviso no mural da UBS que frequenta. Ela decidiu não contar para os familiares sobre a inscrição, a notícia veio apenas quando ela foi chamada para participar do programa. “Mas eu acho que ninguém acreditou que eu ia parar de fumar. Eu fumava dois maços, praticamente um por dia. Toda vez que o grupo me perguntava se eu tinha diminuído, eu dizia que estava fumando do mesmo jeito”, relembra.

Estela afirma que começou a fumar ainda na infância, influenciada pelo pai. “Ele jogava a bituca fora e eu achava aquilo interessante. Eu fumava escondida, ficava meio tonta, não comia. Era cigarro Arizona, na época. Mas quando comecei a trabalhar na tecelagem, aí passei a fumar de verdade”, conta.

Acompanhamento médico
O programa “Saúde Sem Tabaco” é instituído pelo Ministério da Saúde e conta com 12 encontros, que incluem acolhimento, palestras motivacionais, consultas médicas e odontológicas, reuniões terapêuticas e de manutenção. Os participantes recebem o material do paciente para acompanhamento ao longo do processo.

Além do apoio psicológico e social, o tratamento pode incluir o uso de medicamentos. A bupropiona é utilizada para auxiliar na redução da ansiedade, sempre após avaliação médica e desde que não haja contraindicações. O programa também estabelece uma data específica para parar de fumar, quando são utilizados adesivos de nicotina conforme o consumo diário de cigarros.

“Normalmente, todos usam o adesivo, pois não há contraindicação. A avaliação mais criteriosa é em relação ao antidepressivo, porque muitos pacientes já usam outros medicamentos. O médico precisa analisar se a introdução de um novo remédio pode causar efeitos colaterais ou se o risco é maior que o benefício”, explica Maria Michico.

Com Estela, o procedimento seguiu o protocolo, mas a decisão foi pessoal. “Eu tinha uma coisa muito clara na minha cabeça. Já que eu ia parar por vontade própria, eu fumei até o último dia que marquei. No dia seguinte, coloquei o adesivo e comecei a medicação certinho”, relata.

Resultados
Estela afirma que os benefícios foram percebidos rapidamente. “Você toma a decisão e, se for da sua vontade, consegue. Hoje eu durmo bem, não tenho mais tosse, não tive mais crise de bronquite. Para mim, só tive a ganhar”, diz.

Ela também deixa um incentivo para quem ainda pensa em abandonar o cigarro. “Eu peço que todo mundo tenha essa força de vontade. Não vai se arrepender. O cheiro muda, você percebe que tudo tinha cheiro de tabaco: o travesseiro, a cama, o guarda-roupa. Quando você para, entende que o erro na vida da gente é o cigarro”, afirma.

Equipe capacitada
O “Saúde Sem Tabaco” oferece gratuitamente apoio médico, odontológico, psicológico, farmacêutico e de serviço social. Todos os profissionais envolvidos foram capacitados pelo Cratod (Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas), em São Paulo.

Historicamente, entre 40% e 50% dos participantes conseguem deixar de fumar ao final da participação nos grupos. As inscrições seguem abertas ao longo do ano, e os interessados devem procurar a UBS mais próxima da residência.

Receba as notícias do Todo Dia no seu e-mail
Captcha obrigatório

Veja Também

Veja Também