quarta-feira, 18 março 2026
POLÍTICAS PÚBLICAS

Seminário em Santa Bárbara debate políticas públicas e desafios no combate à violência contra a mulher

Encontro reuniu autoridades da região e destacou falta de integração de dados para ações mais eficazes
Por
Nicoly Maia
Todo o conteúdo apresentado foi colocado como ideias e possíveis propostas. Foto: TV TODODIA

O seminário “Enfrentamento à Violência de Gênero: Acolhimento, Prevenção e Inovações” foi realizado nesta quarta-feira (18) na Câmara de Santa Bárbara d’Oeste. O encontro debateu o compartilhamento de políticas públicas de Campinas e os desafios para a segurança de vítimas de violência.

Estiveram presentes a secretária de Políticas Públicas para as Mulheres de Campinas, Alessandra Herrmann, a vereadora Esther Moraes, a primeira-dama de Campinas, Maria Giovana, a vereadora Professora Juliana, de Americana, e a vereadora Lu Blumer, de Iracemápolis, além de representantes de conselhos da mulher, assistentes sociais, Guarda Municipal, OAB e apoiadoras da causa.

Experiências de Campinas são apresentadas
Alessandra Herrmann destacou projetos como auxílio-moradia e a Guarda Amiga da Mulher (Gama), que atendeu mais de seis mil mulheres sem registrar feminicídios entre as acompanhadas.

Foram citadas parcerias para campanhas de conscientização, cursos profissionais e o Ceamo (Centro de Referência e Apoio à Mulher), com escuta qualificada, orientação jurídica, acompanhamento psicossocial e encaminhamentos. “Esse tipo de debate é fundamental, é importante Campinas escutar as iniciativas dos outros municípios também, não importa o tamanho do município, e sim o intercâmbio de informações e que possamos fazer esses encontros com mais frequências”, comentou Alessandra.

As ideias foram apresentadas como propostas adaptáveis para Santa Bárbara d’Oeste e Americana.

Falta de integração de dados é obstáculo
Representantes de Santa Bárbara d’Oeste, Americana e Iracemápolis apontaram a ausência de política nacional para integração de dados entre serviços de atendimento à mulher.

Léa de Fátima Amábile de Queiroz Telles, vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Americana, destacou a dificuldade. “A questão não é municipal exclusivamente, não temos o sistema nacionalmente, estamos discutindo as políticas públicas de enfrentamento, mas precisados dos dados mais próximo do possível de violência para atender a demanda”.

A proposta é criar um sistema que cruze informações da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), assistência social, Defensoria Pública e saúde, evitando revitimização. “Sem esses números mais próximos possíveis da realidade, a gente constrói políticas públicas ? Sim, mas que vão estar longe de atender a demanda real”, afirmou Léa.

Investimento e acompanhamento são desafios
A falta de investimento também foi apontada como obstáculo. Segundo Alessandra, as ações em Campinas são viabilizadas por meio do orçamento municipal, emendas parlamentares e apoio de outras secretarias, além da busca por parcerias com a iniciativa privada e recursos federais.

Para a vereadora Esther Moraes, esse é um caminho que Santa Bárbara d’Oeste precisa seguir. “Estamos no momento de aprimoramento do protocolo de atendimento para identificar onde a rede não está se conectando e ver onde possa melhor. Mas eu defendo acima de tudo que a gente tenha o financiamento dessas políticas públicas, hoje o que falta a nível nacional é que o dinheiro vai chegar, desde o acolhimento a proteção e prevenção”.

Juliana, subcomandante da Guarda Municipal de Santa Bárbara d’Oeste, explicou o acompanhamento pós-medida protetiva pela patrulha Anjo da Guarda da Mulher, com rondas, botão do pânico e tratamento humanizado. “Ofertamos as rondas periodicas, o botão do panico e um acompanhamento mais proximo para que ela se sinta segura, e possui um tratamento humanizado para mulher que está em situações de vulnerabilidade”.

Próximos passos incluem encontros regulares
As propostas serão formalizadas em documentos com sugestões e diagnósticos. Os encontros devem ocorrer a cada três meses para ampliar a troca de experiências.

A transmissão ao vivo não ocorreu por não estar prevista no contrato da Câmara, mas o conteúdo será disponibilizado posteriormente.

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