quarta-feira, 25 março 2026
CRIME FOI EM 2023

Ex-vereador Sirineu Araújo vai a júri popular por homicídio em Sumaré

Justiça decide levar a julgamento caso da morte de Rafael Emídio da Silva, ocorrida em 2023 no Jardim dos Ipês
Por
Vagner Salustiano

O comerciante e ex-vereador de Sumaré Sirineu de Araújo Santos, de 45 anos, vai a júri popular pelo homicídio de Rafael Emídio da Silva, de 39 anos, ocorrido em 19 de agosto de 2023, na Rua José Gomes de Oliveira, no Jardim dos Ipês. A decisão é da Justiça Estadual e foi tomada cerca de dois anos após o indiciamento de Sirineu pela Polícia Civil por homicídio qualificado, com recurso que teria impossibilitado a defesa da vítima.

Na decisão, o juiz do caso apontou haver “indícios suficientes de autoria” para levar o ex-parlamentar ao Tribunal do Júri. Ainda não há data definida para o julgamento. Em nota, o advogado de defesa, Alexandre Sanches, informou apenas que “a defesa vai analisar com cautela os próximos passos do processo”. Sirineu sempre alegou legítima defesa, afirmando que vinha sendo ameaçado de morte por Rafael Emídio. Ele foi indiciado em março de 2024 pelo crime.

O então vereador Sirineu Araújo chegou a se licenciar do cargo por 60 dias. Foto: Câmara Municipal de Sumaré

Relembre o crime no Jardim dos Ipês
Segundo as investigações da Polícia Civil e o laudo do IML (Instituto Médico Legal), Sirineu teria efetuado dez disparos contra Rafael Emídio, que foi atingido nove vezes. Em seguida, conforme apuração policial, ele teria atropelado propositalmente a vítima com sua picape.

O atropelamento foi registrado em vídeo, que mostra Rafael, já ferido, se arrastando de joelhos na via pública antes de ser atingido pelo veículo do ex-vereador. Quando a Polícia Militar chegou ao local, Rafael Emídio já estava morto, deitado de bruços na calçada.

Apresentação espontânea e investigação
Três dias após o crime, em 22 de agosto, Sirineu se apresentou espontaneamente à Polícia Civil e confessou, em depoimento, que havia matado o homem, alegando ter sido ameaçado nos dias anteriores. De acordo com o boletim de ocorrência, Rafael tinha extensa ficha criminal e estava em liberdade condicional havia cerca de uma semana quando foi morto.

As investigações ficaram a cargo da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Americana. “O vereador se apresentou, deu sua versão sobre os fatos, e os investigadores localizaram a arma e a caminhonete, que serão periciados”, afirmou, na época, o então delegado titular da DIG, Lúcio Antonio Petrocelli. A perícia confirmou a presença de sangue humano na parte inferior da caminhonete, e a arma e o celular do autor foram encontrados às margens da Via Anhanguera.

Como não houve prisão em flagrante, Sirineu permaneceu em liberdade durante todo o inquérito e segue respondendo ao processo em liberdade enquanto aguarda o julgamento pelo júri popular.

Local onde o corpo de Rafael Emídio foi encontrado pela Polícia Militar. Foto: Polícia Militar de SP

Declarações públicas do ex-vereador
Em 2024, durante a campanha eleitoral, o ex-vereador voltou a falar sobre o caso em vídeo divulgado nas redes sociais. “Eu fiz oito pedidos de segurança para a Prefeitura de Sumaré, eu tenho três BOs na delegacia, tá? Então eu pedi socorro, eu pedi socorro. Ninguém me ouviu, ninguém fez nada. Talvez se tivessem feito alguma coisa, esse cidadão estaria com a vida dele e eu estaria em paz, mas não foi feito”, declarou.

Na época da investigação, Sirineu se licenciou por 60 dias do mandato na Câmara Municipal, mas retornou ao cargo em novembro de 2023, onde permaneceu até o fim da legislatura. Em 2024, ele se candidatou novamente a vereador pelo PRTB, obteve 820 votos e não foi reeleito.

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