domingo, 6 abril 2025

Tensão faz crescer vendas em supermercados

As vendas em supermercados aumentaram na região de Americana com o crescimento com as notícias sobre o coronavírus. A Apas (Associação Paulista de Supermercados) garantiu que os estoques estão normais e que não haverá problemas de abastecimento. Moradores da região já começaram a estocar produtos.

A rede Pague Menos informou que as unidades da região não tiveram aumento significativo fora da curva padrão para as lojas físicas. “No entanto, o atendimento pelo e-commerce triplicou nesta semana”, informou.

Funcionário do GoodBom da Avenida Rebouças, em Sumaré, ouvido pela reportagem também apontou grande aumento de pedidos pelo e-commerce, quando o cliente faz a compra pela Internet e o supermercado realiza a entrega em sua casa.

“Está havendo um aumento muito grande nas vendas, mas principalmente pelo e-commerce. Hoje mesmo teve muito pedido, bem mais que o normal”, revelou o funcionário.

Ele estima que neste mês o movimento dos clientes dobrou. “O supermercado está enchendo muito, diariamente. Não só aqui”. Na segunda-feira, acabou o álcool em gel.

Funcionária do Supermercado Crema, na Avenida Nossa Senhora de Fátima, em Americana, também relatou à reportagem um aumento nas vendas. “Sim, muito, principalmente de álcool em gel, que acabou sexta-feira”.

A Apas informou em nota que os estoques dos supermercados da região de Americana e de todo o Estado continuam normais e que toda a cadeia de abastecimento (indústria e transportes) está operando com regularidade e fluxo normal.

Segundo a Apas, no último fim de semana houve aumento de 8,5% na frequência de alguns supermercados, em comparação com o terceiro fim de semana do mês passado.

Os produtos mais procurados foram álcool em gel e papel higiênico, “porém toda a cadeia de abastecimento vem trabalhando para que os itens não faltem nas prateleiras e, além disso, se mantenha um equilíbrio de preço”.

A Apas informa que os supermercados estão preparados para atender à demanda e que não há registro de desabastecimento.

Moradores da região começam a entrar na onda de países europeus nos quais o vírus se alastrou e iniciaram compras para estocar.

Glória Stefani, comerciante, moradora de Americana, está fazendo seu estoque. “Já comprei, arroz, feijão, água, produto de higiene, álcool em gel, essas coisas assim”, afirmou.

Ela disse que não pensou duas vezes ao ouvir sobre a possibilidade desupermercados ficarem com as prateleiras vazias como em outros países que tiveram o surto de coronavírus. “Ninguém sabe o dia de amanhã, então a gente tem que procurar se precaver”.

A comerciante diz ter notado uma alta nos preços dos alimentos essenciais. “Já vi um pouquinho de diferença de preço nos mercados. E acredito que a tendência é piorar”, afirmou.

 

‘Em 12 anos eu nunca vi nada igual’, diz dono de restaurante

 

Mesas vazias, pratos e comidas que parecem intocáveis. A cena é comum pelo calçadão de Americana. Com o coronavírus, restaurantes registram quedas de movimento, o que assusta os donos, que têm de se virar. “Em 12 anos eu nunca vi nada igual”, relata proprietário de restaurante na Antônio Lobo, no Centro.

Diego Soares Bonfim, proprietário do Tempero do Cheff, é dono do estabelecimento desde 2008 e contou as dificuldades dos comerciantes. “Caiu muito, mais de 50% o meu movimento. Nunca passei por essa situação, está diferente de tudo. A gente está sobrevivendo, se segurando o máximo”, disse.

Bonfim revela que os trabalhadores que costumavam almoçar em seu restaurante por atuarem no comércio deixaram de vir. “Estou sem expectativa”, lamentou.

Ele deu férias para duas funcionárias. “Fechei fevereiro com menos da metade do faturamento de janeiro e estou fechando o mês no vermelho”.

O comerciante diz que não é só com ele. “Vizinhos de comércio estão assim também, está todo mundo desesperado, sem saber o que fazer”. Bonfim diz que até as refeições por aplicativo de entrega, que são o que tem ajudado, caíram. “Faço em média umas 140 refeições de aplicativo, hoje (ontem) fiz só 56”, contou.

Dona do restaurante Fogão a Lenha Gourmet, no Jardim Girassol, Bruna Chacur também relata queda. “Caiu bastante, desde sábado. De ontem (16) para hoje (17) foi ainda pior, bem mais de 50%”.

“Estamos reduzindo quantidade, trabalhando com menos variedade, para conseguir manter aberto, sempre tomando medidas de prevenção ao coronavírus”, completa.

No Restaurante do Filó, na Avenida De Cillos, no Parque Novo Mundo, o gerente Breno dos Santos falou em número semelhante. “Caiu 50% hoje. Semana passada ainda estava normal. Agora é diminuir a quantidade de comida”, afirmou.

Edilson dos Santos Cardoso, gerente do Restaurante Tijuca, no Jardim São Paulo, acredita que a queda de movimento será crescente. “Cada dia aumenta mais. Começamos a sentir quinta-feira. Deu uma caída legal, uns 30, 40%, pelo menos”, conta.

LOJAS

Ivoni Aparecida Nunccio, proprietária da loja de moda feminina Mandalua, no Calçadão desde 1987, falou que a procura caiu. “Teve queda sim, todos no comércio sentiram essa queda e nenhum estabelecimento vai escapar”, afirmou.

Ivoni observa o efeito dominó causado pelo coronavírus. “Nós vendemos roupa social. Não estão fazendo casamentos, então não vou vender nada. Não só a minha loja, também as lojas de enfeite, decoração, buffet, todas da área de eventos vão sentir. E nem propaganda podemos fazer. Como puxar clientes se não é para sair de casa?”, questiona.

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