Após nove dias de restrições a internações pediátricas, a o HC (Hospital de Clínicas) da Unicamp informou ontem que retomaria as internações pediátricas. De acordo com a instituição, a medida restritiva, decretada no dia 17, foi necessária em função da superlotação da Urgência Pediátrica, da UTI Pediátrica e da Enfermaria Pediátrica.
O objetivo da restrição foi a preservação dos serviços com segurança para pacientes atendidos e internados, segundo a Unicamp. “A superintendência reforçou para a Cross (Central de Vagas do Estado), Samu, Resgate e prefeituras, cautela no encaminhamento de casos, tendo em vista que o funcionamento está com sua capacidade máxima”, explicou.
Ontem à tarde, a UTI Pediátrica do HC mantinha 10 crianças internadas com ventilação mecânica, a UER Infantil normalizada e a Enfermaria de Pediatria, com 36 leitos, operando com sua capacidade próxima do limite, porém retomou ontem mesmo sua rotina para os casos eletivos.
“A superintendência agradece a todos àqueles envolvidos, especialmente as equipes multidisciplinares da Pediatria, que não mediram esforços para assegurar o atendimento digno aos pacientes internados e recebidos no hospital neste período”, destacou.
Mesmo assim, a Superintendência reforçou que as demandas espontâneas continuam sendo avaliadas pela classificação de risco (Azul – Verde – Amarelo – Vermelho) e se necessário serão redirecionadas à rede.
O Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher), também da Unicamp, e a Maternidade de Campinas seguem com os leitos ocupados, sem admitir novos pacientes até o momento, destacou o Sindicato.
SUCATEAMENTO
O Sindimed (Sindicato dos Médicos) de Campinas apontou sucateamento nessa área da saúde. De acordo com o órgão, o cenário de superlotação e falta de leitos pediátricos que Campinas vive desde a última semana, decorre principalmente da constante desassistência do governo federal ao SUS (Sistema Único de Saúde) e pelo grave sucateamento da administração municipal aos profissionais, que há anos não contrata médicos pediatras e equipe de enfermagem para os hospitais e centros de saúde da cidade, afirmou o órgão em nota.
Segundo a entidade, o reflexo desse caos recai sobre os médicos, que se deparam diariamente com o desafio de atender os pacientes e, ao contrário do que esperam, não encontram vagas ou condições mínimas para serem atendidos.
“Nós médicos temos o desafio de dar conta de um problema que vem se agravando há anos pela inércia de nossos governantes. O Sindimed defende a ampliação imediata dos leitos e a realização de concurso público em Campinas para a contratação de pediatras e outros profissionais que estão em falta no município”, declarou o Secretário Geral do Sindimed, Tarcísio Rabelo da Silva.
Na avaliação do Cremesp (Conselho Regional de Medicina), para atender uma população com 1,1 milhão de habitantes, Campinas deveria ter 75 leitos de UTI pediátrica, enquanto atualmente conta com 35, apontou o Sindimed.
A Prefeitura de Campinas foi procurada, por meio da assessoria, mas não atendeu às ligações, nem respondeu aos questionamentos feitos ontem à noite.