terça-feira, 27 janeiro 2026
CASO INGRID

Vítima de tentativa brutal de estupro em Hortolândia espera por justiça e diz: ‘Vou sair dessa’

Ingrid Dalarmi deve fazer retrato falado do criminoso em São Paulo quinta-feira; DDM segue investigando o caso
Por
Vagner Salustiano

Ferida, muito dolorida e traumatizada, a jovem Ingrid Dalarmi, de 23 anos, falou sobre as sequelas da brutal tentativa de estupro que sofreu ao sair do trabalho no final da noite do último domingo (30), na região central de Hortolândia. Ela garantiu: “Vou sair dessa”. E voltou a cobrar justiça no caso, através da identificação, prisão e julgamento do seu agressor.

Ela deve ir sede da Polícia Civil em São Paulo na manhã desta quinta-feira (4) para fazer o retrato falado do criminoso, o que vai auxiliar na identificação e localização pelos órgãos de segurança. O caso segue em investigação pela Delegacia de Defesa da Mulher de Hortolândia.

Ferimentos de Ingrid incharam ainda mais desde a madrugada de segunda-feira. Foto: Acervo Pessoal

Ato de coragem
Em entrevista à TV TODODIA nesta quarta-feira (03), a jovem voltou a explicar porque decidiu mostrar sua própria imagem, incluindo os ferimentos, na cobertura midiática do crime que sofreu. “Não queria que nenhuma outra mulher sofresse o que eu sofri. Na hora que tudo isso aconteceu, eu sinceramente achei que eu ia morrer. Mas Deus me deu força. Não tinha ninguém comigo, era só eu e ele – e Deus. (…) Foi um caso de sobrevivência, eu tive que fingir que estava morta para poder sair daquela emboscada”, afirmou.

Ao lado da mãe Maria Ivonete, Ingrid também falou das dores e machucados que tem no rosto, cabeça, pescoço e torso, que pioraram desde os chutes e socos recebidos no domingo. Ela passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) de Americana na terça-feira, que detalhou os ferimentos.

“Quando eu durmo, está doendo. Meu pescoço, quando eu viro para dormir, está doendo demais. Quando eu lavo a cabeça, parece que vai desmanchar. Está uma dor tremenda. Está cheio de hematomas em mim. Onde ele me arrastou, minhas costas está tudo ralado, porque foi numa parte de concreto”, acrescentou Ingrid.

Na casa da mãe
Desde segunda-feira, ela não voltou mais para casa dela, em Hortolândia, e segue em recuperação na residência da família, em Monte Mor. “Eu moro sozinha, porém vim passar uns dias com a minha mãe, não só por conta disso. Eu já ia vir, mas infelizmente deu toda essa repercussão. Não estou boa, estou com traumas ainda, vou ter que passar no psicólogo para ele tentar me ajudar. Está sendo muito difícil”, acrescentou.

Gratidão pelo apoio e confiança na polícia
A jovem falou sobre o apoio que vem recebendo da comunidade e de pessoas do Brasil todo, inclusive de nomes como a atriz Susana Werner e do apresentador Luiz Bacci, que mencionaram o caso em suas redes sociais a partir de publicações da TV TODODIA. “Muita gratidão mesmo. Não tem como eu apelar (por justiça) mais, por tudo que aconteceu. Não tenho o que falar, estou sem palavras, só gratidão mesmo”, agradeceu.

Ingrid também destacou o trabalho que vem sendo feito pela Polícia Civil, especialmente da Delegacia de Defesa da Mulher de Hortolândia. “Vou amanhã para São Paulo, para fazer o retrato falado dele. Espero sim justiça. Todas as polícias estão à procura do cara”, apontou.

Identificação, prisão, julgamento
A jovem espera que seu agressor seja preso e julgado, para que ela possa retomar sua vida e seus objetivos. “Espero muito que a justiça seja feita. Não perdi meu emprego, mas tive que afastar porque trabalho com criança. Meu patrão está a par da situação, e falou que eu posso ficar tranquila. Não perdi meu emprego, minha casa está lá, vai ser tudo resolvido quando eu melhorar. Vou conseguir ganhar meu dinheirinho de novo, vou conseguir comprar as coisinhas que eu quero – vou ter minha vida normal. Mas naquele infeliz daquele lugar eu não passo mais”, declarou Ingrid.

Ela destacou o suporte que vem recebendo da família e a confiança que tem na justiça divina. “Sei que tudo isso (as cicatrizes) vai sair, e que eu vou sair dessa, Deus vai me ajudar. Toda hora que paro, raciocino e lembro daquilo, vem a cena na minha cabeça. Eu fico chorando. Também não tenho mais motivo para me alegrar. A única pessoa que consigo dar um sorriso é minha irmã. Minha irmã precisa de mim, minha mãe precisa de mim, mas agora quem eu mais preciso de ajuda é da minha mãe e de Deus, que vai nos ajudar e nos dar mais força ainda”, acrescentou.

Viaduto da Avenida Anhanguera sob o qual Ingrid foi atacada e agredida domingo à noite. Foto: Google

Vítima quer mais segurança no local
Ela aproveitou para cobrar melhores condições de segurança no local onde foi atacada, sob o viaduto da Avenida Anhanguera que atravessa o Ribeirão Jacuba, nas proximidades do Shopping Hortolândia – onde Ingrid trabalha.

“A única coisa que eu acho totalmente inconveniente é que ali onde aconteceu isso não tem iluminação, não tem câmera de segurança nem policiamento. A cidade onde eu moro é boa, sim. A única parte que estraga é isso (as condições de segurança). Ali não foi só o meu caso, ali tem roupas íntimas de outras mulheres, tem colchão velho. Então já aconteceu alguma coisa do mesmo tipo a talvez a vítima não tenha tido chance de escapar”, acredita.

Ingrid falou da revolta que sente ao pensar nas condições daquele ponto. “Desculpe estar falando desse jeito, mas minha revolta é tão grande porque ali parece ser um lugar simples, só que infelizmente aconteceu toda essa tragédia. (…) É uma linha de trem, é debaixo de um viaduto. Ali você grita e ninguém escuta. É uma cena de terror, é triste, é humilhante estar fazendo isso, estar expondo minha cara assim, mas infelizmente aconteceu”, lamentou.

Poder público
A Prefeitura de Hortolândia foi questionada sobre as medidas de segurança na região do crime contra Ingrid, mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

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