domingo, 6 abril 2025

A arte como forma de resistência

Quantas vezes já não ouvimos falar do poder transformador da arte? Aqui está um grande exemplo disso. O Espaço Cultura Tattoo & Piercing, que fica em Americana, promove uma feira em prol de uma causa mais do que justa, necessária. 

O evento, que acontece hoje (12), a partir das 15h, receberá o apoio de diversos artistas que farão apresentações, intervenções e levarão sua arte nas mais diversas modalidades, para ajudar na ida de Laryssa Luiz e Jeferson Lima ao Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, para dar continuidade nos trabalhos desenvolvidos pela dupla no projeto “Na Ponta dos Pés”. 

No mês de agosto desse ano, ambos estiveram no local e fizeram um graffiti dentro do projeto, que é uma escola de ballet, que fica no morro do Adeus, e foi construída pelas próprias alunas e professora). 

Desta vez, os dois retornam ao local para prestigiar o espetáculo “Quem é você?”, que homenageia as mulheres que fortaleceram o projeto no decorrer de seu desenvolvimento. Entre as homenageadas está a própria Laryssa. 

Sendo assim, a feira irá reverter o valor da portaria, que é de R$ 5, para ajudar na arrecadação do valor que custeará a ida do casal para o Rio de Janeiro. 

Entre os expositores e artistas que compõem o evento estão o Baque Mulher de Americana, Adriano Sobral, StArte, Caramelo, Udigrudi Brechó, Underground Family, Lutgens Art, Interior Terror 019, Decoração.art, Sartori Suculentas e Cactos, além de flash tattoo do Espaço Cultura e barber shop 4Hands. Entre as apresentações musicais estão Marcelo Rossilho, que é professor de violão e guitarra da casa, MC TZO e Planeta Solidão. O microfone também estará aberto para quem quiser declamar poesias ou apresentar suas canções. 

Se já não fosse o suficiente, a feira ainda terá algodão doce e cama elástica gratuita, especialmente para comemorar o Dia das Crianças, além de diversos jogos e brincadeiras como jogos de tabuleiro, pula corda, amarelinha, jogos didáticos e até um console do Nintendo 64. 

CONEXÃO 

Segundo Laryssa, o projeto “Na Ponta dos Pés” começou no Complexo do Alemão, mais especificamente na quadra do morro do Adeus. A professora Tuany Nascimento começou a ensaiar seus passos por lá, fato que começou a atrair jovens interessadas em aprender mais sobre o ballet. Com o desenvolvimento da ideia, ela começou a dar aula para suas novas alunas, até que foi construída a escola de ballet na comunidade. “Tinha o risco de troca de tiros e invasão da polícia lá, até porque a quadra não era um local apropriado para as aulas por falta de espelhos e barras”, explica. 

A artista plástica conheceu o projeto através das redes sociais. “Li uma matéria e fiquei sabendo da movimentação dessas meninas que estavam construindo a própria escola, as alunas e a professora carregando tijolos, batendo cimento e isso me tocou muito. Na hora, eu como mulher grafitteira, pensei: eu preciso fazer um graffiti nesse lugar!” 

Para ela, dois dos pontos principais que mais a atraíram foi pelo envolvimento só de mulheres e der se um ponto de resistência cultural dentro de uma favela. Laryssa, que atua no segmento a cerca de 4 anos e só retrata mulheres em suas obras, se conectou imediatamente com o projeto. “Senti muita afinidade, muita empatia pelo projeto”, conta. 

Em conversa com a professora Tuany em julho, propondo a ideia da realização do grafitti, tudo aconteceu muito rápido. Em agosto, Laryssa já estava no Rio de Janeiro. Chegando lá, não fez tudo sozinha, mas a várias mãos, com a arte sendo feita juntamente com as alunas da escola. Hoje, busca apoio para contemplar a realização do sonho que conseguiu ajudar a concretizar. 

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