quinta-feira, 22 janeiro 2026
QUATRO NOMEAÇÕES

Cineasta da RMC analisa indicações de ‘O Agente Secreto’ ao Oscar 2026

A cerimônia de entrega do Oscar acontece no dia 15 de março, a partir das 20h, no horário de Brasília
Por
Diego Rodrigues
Ao falar da indicação de Wagner Moura, Santin reforça o simbolismo do reconhecimento vir por um filme brasileiro. Foto: Reprodução/MK2FILMS

O cinema brasileiro voltou a ganhar destaque internacional com O Agente Secreto, indicado a quatro categorias do Oscar 2026 em cerimônia realizada em Los Angeles. Dirigido por Kleber Mendonça Filho, o longa disputa Melhor Filme, além de Melhor Filme Internacional, Melhor Direção de Elenco e Melhor Ator, com Wagner Moura.

A cerimônia de entrega do Oscar acontece no dia 15 de março, a partir das 20h, no horário de Brasília.

Cineasta da região comenta indicações
As indicações foram tema de conversa com o cineasta Rafael Santin, da região de cobertura da TV TODODIA, vencedor dos prêmios de Melhor Filme pelo Júri Popular, Direção e Roteiro no Festival dos Sertões 2025, com o drama policial O Ar que a Gente Respira. Para ele, o momento do cinema brasileiro reflete uma mudança de percepção da Academia em relação às cinematografias fora do eixo anglófono.

Santin avalia que, entre as indicações recebidas por O Agente Secreto, a categoria Direção de Elenco, novidade desta edição, ainda carrega incertezas. Segundo o cineasta, “por ser o primeiro ano, a gente ainda não sabe direito quais serão os critérios dentro dessa categoria”. Ele pondera que a avaliação pode considerar tanto a força do conjunto do elenco quanto aspectos técnicos da produção, o que torna o resultado imprevisível. “Tudo pode acontecer”, afirma.

Espaço para filmes não falados em inglês
Até 2020, quando o sul-coreano Parasita venceu o Oscar de Melhor Filme, produções em língua não inglesa raramente figuravam na principal categoria. Esse cenário começou a mudar nos últimos anos e teve um marco importante em 2025, quando o Brasil conquistou, pela primeira vez, a estatueta de Melhor Filme Internacional com Ainda Estou Aqui.

Adaptado do livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, Ainda Estou Aqui também concorreu a Melhor Filme e Melhor Atriz, com Fernanda Torres, que naquele ano venceu o Globo de Ouro de Melhor Performance em Drama, ampliando a presença brasileira na temporada.

Força do cinema internacional na disputa
Para Santin, o crescimento do espaço para produções internacionais se deve principalmente à qualidade dos filmes. Ele destaca que o Brasil aparecer por dois anos consecutivos na categoria de Melhor Filme representa um feito expressivo. “Isso é gigantesco, é o maior prêmio que a gente poderia ter”, afirma.

O cineasta também cita O Valor Sentimental, longa norueguês que soma nove indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme. Para ele, o fato de esses títulos superarem grandes blockbusters reforça a força do cinema mundial. “Esses filmes tiraram da corrida produções gigantes e isso mostra a potência do cinema internacional.”

Recorde brasileiro e continuidade da produção
Com quatro indicações, O Agente Secreto iguala o recorde brasileiro de nomeações em uma única edição do Oscar, marca alcançada anteriormente por Cidade de Deus, em 2004. Santin vê o feito como sinal de retorno consistente do cinema brasileiro aos grandes festivais e premiações internacionais após um período de afastamento.

Ele lembra que diretores como Kleber Mendonça Filho e Walter Salles construíram carreiras autorais sólidas. “Você assiste a um filme e reconhece a estética. Isso vem de diretores que praticam, que estão sempre trabalhando”, observa.

Santin também relaciona a retomada à ampliação de oportunidades de produção. “Essa lacuna aconteceu muito pela falta de chance de os diretores praticarem”, diz, ao defender mais incentivo ao setor. Para ele, os resultados recentes indicam que o Brasil tem capacidade de competir em alto nível. “Com um pouco mais de incentivo, a gente consegue estar sempre nesse lugar.”

Como funciona a votação do Oscar
A votação do Oscar é realizada em etapas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e reúne mais de 10 mil profissionais da indústria do cinema, entre atores, diretores, roteiristas e técnicos. Na fase inicial, os membros votam majoritariamente dentro de suas áreas específicas, com exceção da categoria de Melhor Filme, que envolve todo o colégio eleitoral.

Direção de elenco e Wagner Moura
Entre as novidades desta 98ª edição do Oscar está a categoria Direção de Elenco, na qual O Agente Secreto também concorre. Santin destaca o entrosamento do elenco e a naturalidade das interpretações, citando a atuação de Tânia Maria, elogiada ao longo da temporada. Para ele, o fato de a atriz não ter uma trajetória consolidada no cinema torna a performance mais significativa. “Ela chega com muita força e pode ser um fator de desequilíbrio.”

Ao falar da indicação de Wagner Moura, Santin reforça o simbolismo do reconhecimento vir por um filme brasileiro. Ele lembra que o ator construiu carreira no exterior e, para ele, a indicação era questão de tempo. “Essa indicação ia acontecer em algum momento, porque ele é muito bom”, afirmou.

Impacto no público e no mercado
Por fim, o cineasta afirma que Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto despertaram no público brasileiro um interesse renovado em consumir cinema nacional, ampliando espaço na mídia e no mercado. “A gente não pode deixar isso ser só uma onda passageira. É um momento de fortalecer o cinema brasileiro e criar condições para que ele continue ocupando esse espaço.”

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