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O livro, o esforço, a proposta social

Sem luxo, no improviso, feira leva o prazer da leitura para cidades do Interior, oferecendo preços populares

David Olavo é um brasileiro valente, que sempre deu um duro danado pra vencer na vida. Ele já fez de tudo. Foi contador, hoteleiro, agente de cargas, comerciante… Hoje, aos 68 anos de idade, ele corre o Brasil com uma feira popular de livros. O “Dom Quixote dos livros”, batalhador, abraçou a causa há dois anos. Fala que vive com dignidade, e ainda garante o prazer da leitura pra muita gente.

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A feirinha é um evento itinerante. Pula de uma cidade a outra. E só depende da ajuda modesta das prefeituras, que liberam o espaço público e lhe garantem, ao menos, um ponto de luz. Ah, as bancas estiveram há pouco em Sumaré. Hoje, estão montadas em Americana, ali na Praça Comendador Müller, na frente da Biblioteca Municipal. E o David explica como as bancas são montadas. Primeiro, são impressos requerimentos às prefeituras, pedindo permissão para uso de praças.

O resto é por conta dele. Ah, sim. Tem cidade que dá uma força com a locação de tendas. Nem sempre, claro. Mas o povo gosta de ler, gasta dinheiro com livro? Claro. Só precisa ver na banca um livro novo e barato, que pode comprar. “A gente faz preço baixo. A margem de lucro é muito pequena. O poder de compra das pessoas caiu muito, oferecemos o livro em conta”, afirma. “Tem livro mais barato que uma cerveja.”

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A reportagem pergunta ao livreiro se o consumir de livro é fiel. E a resposta é curta e grossa: “O povo lê quando tem a chance de pagar pouco.” Alguns temas são campeões de venda, sempre: histórias infantis, culinária, biografias em geral, romances. O povão tem paixão especial pela temática da guerra. E há uma galera doida por histórias em quadrinhos.

A ESTRUTURA

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O livreiro da feira ambulante traz os exemplares de São Paulo, onde ele mora. Quando chega à cidade, ele mesmo monta a equipe de apoio, arrumando trabalho diário para gente que está desempregada ou se oferece pra ajudar. Os livros são transportados com o caminhão de um parceiro. Também há um responsável pela montagem das barracas. Só em Americana, conta Olavo, foram desembarcadas oito toneladas de publicações.

É sim uma estrutura improvisada. Se expõe o material dentro do espaço cedido. E o estilo ambulante do evento, como se fosse um circo, quase mambembe, guarda histórias muito bonitas. Como a de um cidadão de Sumaré, por exemplo, que morava na rua havia três anos. Alcoólatra, ele tinha sido colocado para fora de casa pela própria família. Quando a feirinha do livro chegou, o rapaz se ofereceu para limpar o espaço e fazer a arrumação dos livros no fim do dia. Pronto. O trabalho na feirinha o fez mudar de conduta e se aproximar de novo dos parentes. Os livros ajudaram a salvar um lar

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