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Transfusão de plasma será testada na região

HC da Unicamp será um dos hospitais a coletar plasma sanguíneo de pessoas curadas do coronavírus para tratar infectados

O HC (Hospital de Clínicas) da Unicamp – assim como um consórcio formado por importantes hospitais paulistas – vai iniciar a coleta de plasma sanguíneo de pessoas curadas da Covid-19 para um protocolo de pesquisa envolvendo o tratamento de pacientes infectados pelo coronavírus.

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O plasma é a parte líquida do sangue e constitui cerca de 60% de seu conteúdo total. Os outros componentes são os glóbulos brancos, as células vermelhas e as plaquetas. Seu uso tem sido considerado uma possível estratégia para fornecer os anticorpos ao paciente que precisa deles.

Estima-se que a transfusão de plasma possa levar à diminuição da carga viral no organismo e à melhora dos sintomas.

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Nos Estados Unidos, a técnica terapêutica já é autorizada pela agência regulatória de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, em caráter experimental.

No Brasil, o consórcio formado pelos hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês, da Capital, recebeu autorização para iniciar os testes com plasma em pacientes em estado grave. O Hemocentro de Ribeirão Preto também coleta do plasma sanguíneo para tratar pessoas internadas no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Na Unicamp – onde o projeto envolve seis médicos (hematologistas, infectologistas e intensivistas) – há uma diferença básica. A ideia é analisar a eficácia do tratamento de pessoas com quadro clínico moderado da doença, isto é, que ainda conseguem respirar sem a ajuda de aparelhos.
O objetivo é avaliar a evolução do quadro clínico dos pacientes, evitando que eles precisem ser internados na UTI dos hospitais (onde podem faltar vagas, no caso de avanço da pandemia).

De acordo com o médico Bruno Deltreggia Benites, um dos especialistas campineiros envolvidos no projeto, os hospitais envolvidos buscam recursos do governo federal e das agências de fomento à pesquisa para desenvolver e aplicar a técnica.

Mas a Unicamp não fica esperando. “Nossa equipe já trabalha com os recursos disponibilizados pela própria universidade”, afirmou o médico à reportagem do TodoDia no início da semana. “Em uma semana pretendemos iniciar a coleta do plasma”, afirmou.

Os médicos e pesquisadores do Hemocentro da Unicamp vão entrar em contato com pessoas que se curaram da Covid-19 após tratamento no HC e em outros hospitais da região, e convidá-las para a doação. A coleta de plasma será feita em pacientes curados, 30 dias após o desaparecimento de todos os sintomas.

Os doadores serão submetidos a um procedimento que vai separar o plasma dos outros componentes do sangue, que vão retornar ao doador.

As transfusões de plasma costumam ser seguras e bem toleradas pela maioria das pessoas. Mas os estudos disponíveis ainda não são suficientes para atestar a eficácia da terapia contra a Covid-19.

Há a possibilidade, ainda que rara, do paciente que recebe o plasma ter reações alérgicas ou outros eventos adversos. Risco que se corre em procedimentos médicos. Mas nada capaz de abalar o otimismo dos especialistas.

Estratégia já foi utilizada

A estratégia terapêutica do uso do plasma sanguíneo já foi empregada várias vezes ao longo da história em surtos de outras infecções respiratórias, inclusive em epidemias recentes causadas por outros vírus da família coronavírus, como a Sars (Síndrome Aguda Respiratória), em 2003, e a Mers (Síndrome Respiratória do Oriente Médio), em 2012.

A terapia também foi testada em surtos de sarampo e caxumba – antes da existência de vacinas para essas doenças -, além do surto de ebola, em 2014, e da pandemia de gripe espanhola, em 1918.

No caso da pandemia de Covid-19, estudos recentes destacaram o potencial terapêutico da transfusão de plasma sanguíneo em indivíduos infectados pelo novo coronavírus.

Nos testes norte-americanos, pacientes que receberam o plasma voltaram a respirar sem a ajuda de aparelhos duas semanas após a transfusão, e receberam alta após cerca de 50 dias no hospital.

Para atender até três pacientes infectados com o novo coronavírus são necessários cerca de 600 mililitros de plasma.

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