sábado, 14 fevereiro 2026
NA ÁREA URBANA

Animais silvestres são vistos com frequência em cidades da região; saiba como agir

O aumento das aparições em áreas urbanas pode ser explicado pelo desequilíbrio ambiental
Por
Nathalia Tetzner
Uma serpente foi registrada em um carro de entrega em SBO. Foto: GCM Brandão/TV TODODIA

O entregador Cristiano Aldo da Silva relatou ter encontrado uma serpente dentro do carro que usa para fazer entregas, em uma ocorrência que, segundo ele, poderia ter terminado em acidente caso o animal tivesse sido visto enquanto ele dirigia pela SP-304. “Se eu tivesse visto essa cobra no meu carro enquanto dirigia meu carro pela SP-304, provavelmente eu não estaria aqui dando essa entrevista”, afirmou.

Segundo Cristiano, o encontro aconteceu quando ele fazia entregas e parou na Rua Recife, onde percebeu o animal se movimentando sobre os bancos. “O momento foi terrível e assustador. Eu estava fazendo entrega na Rua Recife e encontrei a serpente lá, no meu carro. Eu vi ela andando em cima dos bancos, sem saber que espécie era e qual o perigo”, relatou.

Resgate e orientação à população
O guarda civil Marciel Silva Brandão informou que atendeu a ocorrência e explicou que, inicialmente, o chamado seria direcionado ao GPA (Grupo de Proteção Ambiental), mas a equipe estava em outra ocorrência, resgatando uma ave silvestre presa em uma árvore por linha de pipa. “A priori, a ocorrência seria para o GPA (Grupo de proteção Ambiental), porém, eles estavam no outro lado da cidade, resgatando uma ave silvestre presa em uma árvore com linha de pipa. Por isso, a nossa equipe se deslocou até o local, onde percebemos a serpente perto dos cabos elétricos do veículo. Foi feito uma espécie de cambão para a captura não machucar o animal”, detalhou.

Segundo o relato, a serpente foi retirada com segurança e solta na natureza pelo Corpo de Bombeiros. O guarda orientou que, ao encontrar animal silvestre, a população não tente capturar e acione os canais oficiais. “A orientação é que a população solicite 153, 190 ou pelos Bombeiros para que a captura seja feita por profissionais. Assim, não machucando um animal que está procurando abrigo devido a causas ambientais como desmatamentos”, aconselhou.

Aumento de aparições e explicações
O caso ocorre em meio a registros recentes de animais silvestres em áreas urbanas na região, como tamanduá-bandeira em Piracicaba, saruê em unidade de saúde em Americana e capivara em Santa Bárbara d’Oeste. O pesquisador Alexandre Reis Percequillo, da Esalq (Escola Superior de Agricultura da Universidade de São Paulo), explicou que a presença mais frequente pode estar ligada ao processo de adaptação da fauna às paisagens urbanas e à redução da caça ao longo do tempo.

“Houve um momento na história do desenvolvimento do interior do estado de São Paulo, em que os animais foram fugindo da área urbana, assim, a fauna foi desaparecendo. Com o passar do tempo e a diminuição da atividade de caça, os animais se acostumaram com essa paisagem, se habituando à presença humana e cada vez mais próximos de nós”, afirmou.

O pesquisador, integrante do Corredor Caipira, projeto apoiado pela Petrobras, também alertou para a necessidade de evitar contato e acionar as autoridades. “O contato com esses animais vai se tornar cada vez mais frequente. Nós temos que lembrar que são animais selvagens e evitar contato, avisando as autoridades competentes preparadas para atuar nesse sentido. Além de ter em mente que esses animais são protegidos por Lei por, muitas vezes, estarem em extinção”, disse.

As passagens de fauna ajudam a diminuir os riscos de atropelamentos de animais silvestres. Foto: Prefeitura de Campinas

Passagens de fauna e prevenção
Como medida de mitigação, Percequillo citou as passagens de fauna e mencionou Campinas como referência no tema, com estruturas em operação para reduzir atropelamentos. “Várias passagens de fauna são importantes. Têm as subterrâneas, que têm sido adaptadas pelas concessionárias, elas tem permitido a maior dispersão da fauna. Hoje, os animais conseguem passar sem serem atropelados com tanta frequência nesses lugares”, afirmou.

Após o episódio, Cristiano disse que passou a ter mais cuidado ao entrar no veículo. “Agora, quando eu entro no carro, eu ligo o celular, fico procurando, com um pouco de trauma e insegurança diante de um bicho peçonhento como aquele”, relatou.

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