Três décadas se passaram desde o dia 10 de dezembro de 1995, marcado pela maior glória do Esporte Clube XV de Novembro, o popular XV de Piracicaba. Há 30 anos, o clube conquistava a Série C do Campeonato Brasileiro, o primeiro e único título nacional da história do Nhô Quim.
O piracicabano e capitão Biluca, já experiente à época, e os então jovens Carlão e Cristiano, que ainda eram menores de idade quando levantaram a taça, fizeram parte do elenco que entrou para a história e que até hoje estampa as paredes do Estádio Barão da Serra Negra. Eles seguem morando em Piracicaba e falam à TV TODODIA sobre os bastidores da caminhada até o troféu.
Começo turbulento
Antes de consagrar aquela geração, o ano de 1995 começou de forma impensável e negativa para o XV. Mesmo com uma equipe experiente, comandada pelo técnico Rubens Minelli, o Nhô Quim terminou apenas na 14ª colocação e acabou rebaixado para a Série A2, junto com Bragantino e Ponte Preta.
“Nas sete, oito primeiras rodadas o time era líder do paulista. De repente, na última, a gente tava caindo [de divisão]”, recorda o zagueiro Biluca.

O mau resultado culminou na saída de Minelli e em uma reformulação profunda no elenco, com aposta nos mais jovens. Presidente do clube na ocasião, Rolim Adolfo Amaro (que também era proprietário da companhia aérea TAM) decidiu trazer Oswaldo Alvarez, o saudoso Vadão. O treinador havia liderado o Mogi Mirim no título da Série A2 antes de desembarcar em Piracicaba.
“Os remanescentes foram os principais atletas que, mesmo tendo caído, tinham uma identificação muito grande com o clube”, afirma o goleiro Cristiano, que era titular da equipe júnior e compunha o elenco profissional. Atualmente, o ex-atleta é preparador de goleiros do alvinegro piracicabano.
Mesmo assim, o início do trabalho de Vadão na Noiva da Colina foi difícil. Entre 107 clubes, o XV caiu no grupo com o Paulista, de Jundiaí, e o Democrata (MG). O alvinegro piracicabano empatou fora (2 a 2) e perdeu em casa (0 a 1) para o Paulista; contra os mineiros, venceu no Barão (2 a 0) e perdeu outro (1 a 0), avançando com apenas quatro pontos.
“Durante a competição [Série C] é que a equipe foi ganhando corpo”, relembra Carlão, que, aos 16 anos, era o volante titular da equipe. Para ele, que hoje exerce a função de supervisor das categorias de formação, a convivência com os mais experientes foi fundamental para a campanha vitoriosa.

‘Barãobonera‘
Depois de o XV perder um jogo em casa para o Paulista de Jundiaí na primeira fase, o Barão da Serra Negra se tornou um verdadeiro trunfo para o XV de Piracicaba no mata-mata.
Alguns torcedores ainda brincam com o fato, apelidando carinhosamente o estádio de “Barãobonera”, em alusão ao “La Bombonera”, do Boca Juniors (ARG), conhecido pelo clima hostil aos adversários da equipe de Buenos Aires.
No mata-mata, o XV venceu a Inter de Limeira em casa pelo placar mínimo e segurou o 0 a 0 fora. A terceira fase foi mais tranquila: goleou o Barra (RJ) por 4 a 0 no Barão e ganhou por 1 a 0 fora. Contra o Brasil de Pelotas (RS), nas oitavas, empatou em 1 a 1 no Sul e venceu por 2 a 0 em Piracicaba.
“O time começou a entrosar. Fizemos grandes jogos em casa”, ressalta Carlão. Biluca complementa: “a gente entrava em campo por nós e pela torcida, que era um jogador a mais”.
Atual presidente do XV, Matheus Bonassi relata ter comparecido a todos os jogos em Piracicaba. “Eu tinha 15 anos à época. Havia aquele envolvimento bem bacana da cidade com o clube”, destaca o mandatário quinzista.

Superação
E as quartas de final reservaram os momentos de maior tensão. Depois de perder por 1 a 0 para o Joinville (SC) no jogo de ida, o Nhô Quim devolveu o placar em casa, com gol de Biluca, e garantiu a classificação nos pênaltis.
Carlão comenta que, apesar da pouca idade, pediu para fazer uma das cobranças, informação recebida com desconfiança por parte do técnico Vadão. “Eu falei três vezes para ele que eu queria bater”, conta, aos risos, o jogador, que conseguiu marcar seu gol durante a disputa de penalidades. “Do meio de campo até a marca do pênalti eu tava com dois caminhões de trinta toneladas nas costas”, brinca o volante.
Na semifinal, que valia o acesso e a vaga na final, o XV venceu o Gama (DF) por 2 a 0 em casa e perdeu por 1 a 0 na capital federal.

Conquista inédita
Na grande final, contra o Volta Redonda (RJ), o alvinegro piracicabano fez 2 a 0 no Barão, gols de Serginho Brasília e Cléber Gaúcho, que depois viria a ser bicampeão da Copa Paulista (2016 e 2022) como treinador do XV.
Na partida decisiva, o Nhô Quim confirmou o título com nova vitória por 1 a 0. Novamente, o zagueiro e capitão Biluca deixou o dele, de cabeça, entrando para a história do clube, que completou 112 anos em 2025.
Ao término do confronto, Vadão destacou o fato de o atleta ser piracicabano. “Tinha que ser você”, disse o técnico, segundo Biluca.

O líder daquele elenco também relembra como foi a chegada a Piracicaba depois do título. “Viemos cantando lá de Volta Redonda até aqui. Onde eu ía, todo mundo comentava”, relata o capitão quinzista. No dia seguinte, o time desfilou com um caminhão do Corpo de Bombeiros pela cidade, e foi ovacionado pela torcida.
“Quando você tem um título de nível nacional, a sensação é a de ser o melhor do Brasil”, finaliza o atual presidente Bonassi.
Personagens
Biluca, Cristiano, Carlão, Tito, Cléber Gaúcho, Almir, Tailson e Wagner. Cléber Lima, Marcos Lucas, Mica, Luís Fernando, Ivanildo, Serginho, Almir e o comandante Vadão. Esses são alguns dos nomes que marcaram para sempre a história do XV de Piracicaba com o título da Série C de 1995.





