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TODODIA 4 de novembro de 2026
CURSO DE MEDICINA

Audiência debate proposta de curso de Medicina da Unicamp em Piracicaba

Reunião na Câmara será às 19h desta quarta-feira e discutirá as condições para viabilizar o projeto

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A possibilidade de implantação de um curso de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em Piracicaba será discutida em audiência pública nesta quarta-feira (4), às 19h, na Câmara Municipal. O encontro será no Plenário Francisco Antônio Coelho e atende ao requerimento 875/2026, do vereador Josef Borges (PP).

A audiência pretende reunir representantes do poder público, da universidade, de instituições de saúde e da comunidade para avaliar as condições necessárias à concretização do projeto. Foram convocados representantes das secretarias municipais de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, Educação, Saúde e Trabalho, Emprego e Renda, além da Procuradoria-Geral do Município.

O prefeito Helinho Zanatta (PSD) foi convidado, assim como representantes da reitoria da Unicamp, da Faculdade de Ciências Médicas da universidade, do Governo do Estado de São Paulo, de hospitais e instituições de saúde de Piracicaba e região, da Fumep e de outras entidades.

TV TODODIA antecipou tratativas
A possibilidade de Piracicaba receber um curso de Medicina ligado à Unicamp foi revelada pelo prefeito Helinho Zanatta em entrevista exclusiva à TV TODODIA, em setembro, após uma reunião de trabalho sobre o novo distrito de inovação do município. “A Unicamp está fazendo um processo de autarquização, está mudando a forma de gestão e isso vai ter grandes ativos de investimento, e Piracicaba faz parte com a criação de uma faculdade de medicina, que é um sonho para Piracicaba e também entra neste distrito de inovação”, declarou o prefeito na ocasião.

Helinho estimou que a nova legislação sobre a autarquização poderá ser aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) no primeiro semestre do ano seguinte. “A partir daí, ela consegue gerar oportunidades e investimentos, que é a desoneração que a faculdade vai ter para trazer investimento.”

Na mesma entrevista, a diretora da Faculdade de Odontologia da Unicamp (FOP-Unicamp), Karina Gonzales Silvério, afirmou que as clínicas da Unesp e da USP, em Ribeirão Preto e em São Paulo, já funcionam como autarquias. Segundo ela, os hospitais da Unicamp continuam sob administração da universidade, o que consome muitos recursos. “Isso, é claro, dificulta a universidade de poder expandir os cursos e principalmente um curso como medicina, que é um curso relativamente caro; então existe sim uma intenção, já tem um projeto aprovado pelo Conselho Universitário da Unicamp, já encaminhado ao governador, para que seja autarquizada toda a área da saúde da Unicamp; autarquizando a área da saúde, há uma liberação desses recursos e dá a possibilidade da Unicamp expandir os cursos de graduação e pós-graduação.”

Formação e pesquisa
No requerimento que solicitou a audiência, Josef Borges afirma que Piracicaba reúne condições favoráveis para receber um curso de Medicina. Ele cita a estrutura do município nas áreas de saúde, educação, pesquisa, tecnologia, inovação e desenvolvimento econômico, além da importância regional na prestação de serviços de saúde e na formação profissional.

Na avaliação do vereador, um curso de Medicina ligado à Unicamp poderia ampliar o acesso ao ensino superior público de excelência, fortalecer a formação de profissionais da saúde e estimular a pesquisa e a inovação. O parlamentar também aponta a possibilidade de aproximar a universidade dos serviços públicos de saúde e da comunidade.

O requerimento acrescenta que uma eventual parceria com a Fumep poderia contribuir para ampliar a qualidade acadêmica e a estrutura educacional do município. A proposta, segundo o documento, depende de planejamento e articulação entre a Unicamp, o Governo do Estado, a Prefeitura, a Câmara, instituições de saúde, o setor produtivo, a comunidade acadêmica e a sociedade civil.

A audiência também deverá abordar aspectos técnicos, jurídicos, administrativos, financeiros e estruturais, além de identificar áreas e equipamentos públicos que poderiam integrar o projeto. A discussão pretende avaliar como o município e as demais instituições poderiam contribuir para viabilizar a proposta.

Unicamp apresentou proposta de autarquização à Alesp
Em outubro de 2025, a Unicamp apresentou aos parlamentares da Alesp um projeto para autarquizar sua área da Saúde. Em audiência pública convocada pela Comissão de Saúde, a reitoria defendeu a proposta, que busca aliviar as despesas da universidade, ampliar o complexo hospitalar e aumentar o número de vagas e cursos oferecidos.

Representantes da universidade afirmaram que a medida é importante para o futuro da instituição, que destina cerca de 25% do orçamento — aproximadamente R$ 1,1 bilhão — ao custeio da área da Saúde. Ligada à Secretaria de Estado da Saúde (SES), a nova autarquia deverá administrar oito unidades, entre elas o Hospital de Clínicas (HC), o Hospital da Mulher (Caism), o Hemocentro e o Gastrocentro. As unidades continuarão vinculadas academicamente à universidade.

Na audiência, o reitor da Unicamp, professor Paulo Cesar Montagner, defendeu a proposta. “Temos muito orgulho da nossa área da saúde; quando falamos em autarquizar uma área não estamos privatizando absolutamente nada; a autarquia é uma forma de fortalecer o financiamento público de uma área fundamental que é a da Saúde”, afirmou.

O diretor do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas, Jorge Curi, que representou a SES, disse que a transferência da administração para a secretaria poderá permitir que a Unicamp volte a crescer. Já o diretor executivo da área da Saúde da universidade, Luiz Carlos Zeferino, afirmou que a proposta é essencial para dar perspectiva de crescimento ao complexo hospitalar.

Questionamentos sobre a proposta
Parlamentares que participaram da audiência na Alesp questionaram representantes da gestão da Unicamp. O deputado Guilherme Cortez (Psol) manifestou preocupação com possíveis contingenciamentos do governo estadual e com a contratação dos servidores que atuam nas unidades de saúde da universidade. “Hoje, esses serviços são garantidos pela universidade que tem autonomia orçamentária; com a autarquização, vai corresponder à política orçamentária da SES e é um problema”.

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Paulo Eduardo Carlim TODODIA — jornalismo das regiões de Campinas e Piracicaba
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