domingo, 9 agosto 2026
MATERNIDADE

Agosto Dourado reforça que amamentação vai além da alimentação e fortalece vínculo entre mãe e bebê

Campanha destaca os benefícios do leite materno para o bebê e para a mãe, além da necessidade de acolhimento durante o período de amamentação
Por
Thayla Nogueira

O mês de agosto é marcado pela campanha Agosto Dourado, que promove a conscientização sobre a importância do aleitamento materno e do apoio às mães durante esse período. A cor dourada simboliza o padrão ouro de qualidade do leite materno, considerado o alimento mais completo para os primeiros meses de vida do bebê.

Segundo o Ministério da Saúde e a OMS (Organização Mundial da Saúde), a recomendação é que o aleitamento materno seja exclusivo até os seis meses de idade e mantido de forma complementar até os dois anos ou mais. Além de fornecer todos os nutrientes necessários ao desenvolvimento da criança, o leite materno fortalece o sistema imunológico, reduz o risco de infecções e contribui para o desenvolvimento cognitivo.

Ao longo do Agosto Dourado, profissionais da saúde reforçam que cada experiência com a amamentação é única. Foto: Thayla Nogueira/TV TODODIA

Para as mães, a amamentação também traz benefícios, como a redução do risco de hemorragias no pós-parto, auxílio na recuperação do organismo e diminuição das chances de desenvolver câncer de mama e de ovário.

Primeira experiência foi marcada por emoção
Mãe de primeira viagem, a designer de sobrancelhas Bruna Vieira contou que sempre desejou amamentar, mas procurou não criar expectativas excessivas caso enfrentasse dificuldades. “Eu sempre quis amamentar, mas também já tinha preparado meu psicológico. Se por acaso eu não conseguisse ou não tivesse leite, eu sabia que isso podia acontecer. Fui com vontade de amamentar, mas sem pressão.”

Ela relembra que o primeiro contato com a filha Jade foi um dos momentos mais marcantes da maternidade. “Quando as enfermeiras colocaram ela em cima de mim e ela já começou a mamar foi muito gostoso. Eu senti ela ali pertinho, ela ficou quietinha e foi mágico. Foi muito melhor do que eu imaginava.”

Segundo Bruna, o momento representa muito mais do que a alimentação. “Eu acho que só o fato do bebê estar perto da gente, no colo, seja no peito ou na mamadeira, já é um momento único. Eles estão sentindo nosso cheiro e isso é muito especial.”

Desafios marcaram os primeiros dias
Apesar da alegria, os primeiros dias de amamentação foram difíceis. A pega incorreta provocou fissuras, sangramento e dores intensas, fazendo com que Bruna pensasse em interromper a amamentação. “Começou a doer muito. Ela mamava com sangue e eu fiquei desesperada. Acordei decidida que ia dar fórmula porque não queria mais amamentar.”

Com o apoio de familiares e amigas, além da utilização de um bico de silicone e das orientações recebidas, ela conseguiu superar as dificuldades. “Meu leite ainda não tinha descido e isso me deixou mais frustrada ainda. Depois que usei o bico de silicone, a Jade se adaptou e, no outro dia, meu leite desceu. Quase desisti, mas deu tudo certo, graças a Deus.”

Rede de apoio faz diferença
Para a psicóloga Patrícia Coghi Poletti, a amamentação também é um importante processo de construção do vínculo entre mãe e bebê. “A maternidade não nasce pronta. Ela é construída na relação que essa mulher estabelece com o bebê. A amamentação é um momento de pele a pele, de troca de olhares, de ouvir a respiração um do outro. Ela nutre o bebê, mas também nutre emocionalmente essa mãe.”

Segundo a especialista, fatores físicos, hormonais e emocionais podem interferir na amamentação. “A ansiedade acaba afetando a amamentação. Por isso é importante uma rede de apoio que ofereça calma, suporte emocional e ajuda nas tarefas do dia a dia para que essa mulher consiga viver esse processo de forma mais tranquila.”

Ela destaca que familiares, companheiros e profissionais de saúde têm papel fundamental ao acolher a mãe, reduzindo cobranças e oferecendo orientação sempre que necessário.

Mais importante é fortalecer o vínculo
Patrícia também ressalta que nem todas as mulheres conseguem amamentar exclusivamente no peito e que isso não deve ser motivo de culpa. “O importante é esse vínculo que está sendo estabelecido, da forma que ele puder acontecer. A criança precisa ser nutrida não apenas pelo leite, mas também emocionalmente.”

Para Bruna, a principal mensagem para outras mães é que cada experiência é única. “Se você tem vontade de amamentar, não desista. Tente de todas as formas. Mas, se por algum motivo não conseguir, isso não faz de você menos mãe. O mais importante é o amor, o cuidado e esse momento que vocês vivem juntos.”

Ao longo do Agosto Dourado, profissionais da saúde reforçam que a campanha busca incentivar o aleitamento materno, ampliar o acesso à informação de qualidade, combater julgamentos e fortalecer as redes de apoio para que mães e bebês vivam esse momento com segurança e acolhimento.

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