quarta-feira, 4 março 2026
DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Série de matérias da TV TODODIA destaca pesquisadoras e os desafios das mulheres na ciência

A produção estreia nesta quarta-feira (4) e terá três episódios
Por
Nicoly Maia
A TV TODODIA produz uma série especial que apresenta entrevistas com pesquisadoras. Foto: Inteligência artificial

Durante a semana do Dia Internacional da Mulher, a TV TODODIA apresenta uma série especial com entrevistas que mostram a trajetória de pesquisadoras da região que contribuem para o avanço da ciência. A produção estreia na quarta-feira (4) e destaca mulheres que persistem diante dos desafios e atuam no desenvolvimento do conhecimento científico e da sociedade.

Pesquisadoras como Tatiana Sampaio, que conduz estudos sobre a polilaminina como possível alternativa no tratamento de lesões medulares. Ela alcançou repercussão nacional e incentivou a elaboração da série para contar as histórias de pesquisadoras na região de cobertura.

Episódio de abertura
No episódio de abertura, a reportagem apresenta a trajetória de Ligiana Pires Corona, pesquisadora na área de nutrição com foco no envelhecimento populacional. Ao longo da carreira, ela desenvolveu estudos voltados à saúde, bem-estar e qualidade de vida da população idosa, com destaque para pesquisas sobre fragilidade no envelhecimento.

A escolha pela área foi motivada pelas mudanças no perfil demográfico da sociedade e pela necessidade de ampliar os estudos voltados à população idosa.

“Escolhi essa área ao perceber que a nossa sociedade está mudando e que a população está envelhecendo rapidamente, sem que haja pesquisas suficientes voltadas a essa realidade. Isso me chamou muita atenção, porque precisamos começar a olhar para essas pessoas desde agora. Em pouco tempo, seremos nós nessa condição, e ainda não temos profissionais formados em quantidade suficiente para atender essa demanda”. 

Ligiana Pires Corona, pesquisadora na área de nutrição. Foto: Ana Machado/ TV TODODIA

Epidemiologia e o envelhecimento da população
Ligiana tem como base de suas linhas de pesquisa a epidemiologia, área que estuda os padrões de saúde e doença nas populações, com foco no envelhecimento. Ao ingressar na FCA (Faculdade de Ciências Aplicadas) da Unicamp, em Limeira, identificou a ausência de pesquisas voltadas especificamente à nutrição no envelhecimento.

“Quando cheguei, havia apenas uma ou duas professoras que trabalhavam com epidemiologia, mas nenhuma com foco no envelhecimento populacional. Diante dessa lacuna, decidi criar um laboratório para iniciar essa linha de pesquisa. Acredito que fui pioneira na instituição na área de epidemiologia nutricional voltada à população idosa.”

Comportamentos de risco e envelhecimento saudável
Entre os estudos mais recentes, a pesquisadora analisa comportamentos de risco entre idosos, como sedentarismo, alimentação inadequada, tabagismo e consumo de álcool.

“Identificamos diferenças importantes no comportamento da população em envelhecimento. De forma geral, esses fatores de risco costumam ocorrer de forma associada. Observamos que muitas pessoas com inatividade física também apresentam alimentação inadequada, assim como o tabagismo frequentemente está relacionado ao consumo excessivo de álcool. Esse padrão é mais comum entre os homens no que se refere ao fumo e ao álcool, enquanto, entre as mulheres, há maior predominância de inatividade física associada à alimentação inadequada.”

A pesquisa também aponta que o consumo moderado de álcool ainda é frequentemente percebido como inofensivo, o que pode representar um risco à saúde. Segundo a pesquisadora, essa percepção está associada à crença popular de que pequenas quantidades, como uma taça de vinho, seriam benéficas. No entanto, evidências científicas indicam que, especialmente no envelhecimento, não existe dose segura de álcool quando o objetivo é prevenir doenças e promover um envelhecimento saudável.

Doenças crônicas e fragilidade no envelhecimento
Ligiana também desenvolve estudos sobre doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e colesterol elevado, que são comuns na população idosa e podem afetar diretamente a qualidade de vida. Segundo a pesquisadora, essas condições podem contribuir para o desenvolvimento da sarcopenia, caracterizada pela perda de massa e função muscular. Esse processo está associado ao envelhecimento e pode resultar na redução da força, maior dificuldade de locomoção, menor capacidade de recuperação diante de infecções e aumento do risco de mortalidade.

Desafios e desigualdade de gênero na ciência
Apesar da maior presença feminina em áreas como a nutrição, a pesquisadora destaca que ainda existe desigualdade nos cargos de liderança científica. “A gente tem, sim, algumas áreas que são mais receptivas à presença feminina, especialmente na saúde e, principalmente, na nutrição. No entanto, ainda existe uma defasagem quando se trata da ocupação de cargos de liderança. Eu fico muito feliz em liderar o Laboratório de Epidemiologia e tenho orgulho em contribuir com a formação de mulheres cientistas, porque sabemos que ainda há um longo caminho a percorrer.”

Segundo ela, o papel da mulher na ciência envolve desafios adicionais, especialmente relacionados à conciliação entre carreira e vida pessoal. A pesquisadora comenta que ainda há caminhos para traçar principalmente por questões sociais, como a maternidade ou até mesmo o julgamento sobre escolhas pessoais.

Reconhecimento e visibilidade das pesquisadoras
Para Ligiana, ainda é necessário ampliar o reconhecimento das mulheres cientistas, especialmente fora do ambiente acadêmico. Segundo a pesquisadora, existem profissionais com trabalhos relevantes e de grande importância, mas que ainda recebem pouca visibilidade na grande mídia. Muitas dessas produções permanecem restritas ao nível local, enquanto pesquisas conduzidas por homens acabam tendo maior destaque. Apesar dos avanços nos últimos anos, ela avalia que ainda há um longo caminho a percorrer para garantir maior reconhecimento às mulheres na ciência.

Maternidade e carreira científica
A maternidade é outro desafio enfrentado por mulheres na ciência, principalmente pela pressão por produtividade acadêmica. “Orientação de mestrado e doutorado não entra em licença. Seus alunos continuam trabalhando e você precisa estar ali. A maior cobrança muitas vezes é nossa mesma, porque você pensa que está sem produzir. A produção científica é o que determina o financiamento e o avanço da carreira.”

Ela relata que, com o tempo, aprendeu a equilibrar melhor a vida profissional e pessoal. “Hoje eu consigo conciliar melhor a minha carreira acadêmica com a minha família. Eu não trabalho aos finais de semana. Esse é o meu momento com os meus filhos.”

Futuro e novos objetivos
Com mais de uma década de atuação na universidade, Ligiana projeta novos avanços na carreira acadêmica. “Eu vejo que atingi um nível muito mais alto do que eu poderia imaginar, mas ainda tenho muito caminho pela frente. Tenho projetos importantes e a intenção de me tornar professora titular.”

A trajetória da pesquisadora reflete o avanço das mulheres na ciência e reforça a importância da representatividade feminina na produção científica, especialmente em áreas fundamentais para o futuro da sociedade, como o envelhecimento populacional.

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