terça-feira, 13 janeiro 2026
RELIGIÃO E COMPORTAMENTO

Amar também dói

"No amor não há medo; ao contrário, o verdadeiro amor expulsa o medo..." (1 João 4:18a)
Por
Rev. André Luís Pereira

Ah, o amor! Ele está na boca, na mente e no coração de muita gente. Todos falam sobre a bênção que é amar; outros, sobre a satisfação de amar e ser amado. Contudo, se formos menos romantizados em relação ao “verdadeiro amor”, talvez devamos nos perguntar: amar é mesmo tão descomplicado assim? A mim, não parece.

Como conselheiro de casais, no contexto terapêutico, o que testemunho são expressões — verbais e corporais — da dificuldade de amar. Amar é, também, sofrer. Aliás, creio que não há amor sem sofrimento. Explico: amar alguém demanda ceder, suportar, ser paciente, acolher quando não se quer; enfim… amar dói.

É óbvio que não estou dizendo que não exista satisfação no amor. Claro que há, mas não o tempo todo — do mesmo modo que o sofrimento também não é diário. Os leitores que são casados, ou vivem um relacionamento afetivo, sabem muito bem disso.

Não há casamento perfeito, e isso se dá por pelo menos duas razões:

  • somos seres imperfeitos, sujeitos ao pecado, às tentações e a toda sorte de erros;
  • as faltas nos compõem — ou seja, nunca nos sentimos totalmente satisfeitos com o que recebemos do outro, e o outro nunca terá para nos dar tudo aquilo que nos falta.

Mas os melhores casamentos são aqueles que se reconhecem imperfeitos e, por isso, permanecem abertos ao cuidado, ao arrependimento, ao perdão e ao recomeço. Assim é o amor: expulsa aquilo que não agrega, mesmo quando aquilo que não agrega insiste em ficar. O amor lança fora a insegurança; aquele que antes não se sentia aceito, quando encontra o amor verdadeiro, é acolhido — e, por isso, o medo se vai.

Não há como evitar o medo, a insegurança ou as tentações; não há como evitar os percalços próprios dos relacionamentos humanos. Contudo, quando o amor é sincero e verdadeiro, com o tempo, ele vai fazendo uma “limpeza na casa”, removendo tudo aquilo que não nos faz bem.

Portanto, ame! Mas ame com a consciência de que tanto você quanto a pessoa amada não são perfeitos e de que, por isso, em algum momento, o amor será provado. A questão mais importante não é apenas se o amor subsiste, mas se ele é livre para recomeçar.

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