
Rafael Resende – Analista Político
A escalada militar entre Estados Unidos, Israel e Irã elevou a tensão no Oriente Médio. O presidente norte-americano Donald Trump afirmou que os ataques deste sábado têm como alvo a indústria de mísseis iraniana, que, segundo ele, será “arrasada até o chão”, além da marinha do país. O objetivo declarado é impedir que Teerã desenvolva uma arma nuclear.
O Irã foi atacado e respondeu com retaliações contra Bahrein e Catar, ampliando o risco de um conflito regional de grandes proporções. Ao longo das últimas semanas, negociações tentavam conter a crise, mas fracassaram. Teerã reclama da exigência de interromper seu programa nuclear enquanto Israel manteria o seu, com apoio do Ocidente. Já Israel sustenta que o programa nuclear iraniano ameaça sua própria existência.
O governo israelense confirmou que o Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, foi morto, informação também confirmada pela agência Reuters. O governo iraniano, porém, nega a informação, ao que tudo indica em uma tentativa de manutenção do regime com a escolha imediata de um sucessor, o que ainda dificultaria a tentativa norte-americana de redemocratização do país.
Em meio ao caos, 85 alunas entre 7 e 12 anos morreram após um ataque a uma escola iraniana, uma tragédia que escancara o custo humano da guerra. Trump foi além e instigou a população iraniana a derrubar o regime dos aiatolás, elevando o tom político do confronto.
Emmanuel Macron, presidente da França, convocou reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. A iniciativa, porém, tende a ter efeito limitado, dada a reiterada ineficácia da entidade diante de conflitos recentes.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil condenou os ataques de EUA e Israel, uma posição centrada e juridicamente coerente com o princípio da soberania, embora contraste com o discurso do presidente Lula sobre “defesa ativa da democracia”.
É preciso lembrar: todos os países têm o direito de desenvolver programas nucleares para fins defensivos e pacíficos, desde que submetidos a mecanismos internacionais de fiscalização. O problema começa quando desconfiança, rivalidade histórica e cálculo político substituem a diplomacia.
No fim, a guerra nunca é apenas estratégica; ela é humana. E são sempre os inocentes que pagam o preço mais alto. Que cessem as bombas e que a razão prevaleça sobre a destruição.





