Por Rev. Ailton Gonçalves Dias Filho, Pastor Presbiteriano
O médico Lucas registra que sua narrativa evangélica foi fruto de uma “acurada investigação”. Exatamente por isso, das narrativas do nascimento de Jesus Cristo, é o que apresenta mais detalhes.
Somente Lucas, por exemplo, registra os três cânticos de Natal: o “Magnificat” de Maria, o “Benedictus” de Zacarias e o “Nunc Dimittis” de Simeão. Quero me ater ao último, o cântico de Simeão, e fazer algumas reflexões. Entendo que este cântico é de despedida. Embora o texto não diga, Simeão, parece-me, era um senhor idoso. Ele aguardava a consolação do povo israelita que vivia debaixo de intensa opressão.
A primeira reflexão é que o cântico aponta para a assistência que o Espírito Santo oferecia ao seu autor. O médico Lucas registra que o Espírito Santo estava sobre ele, e que revelara a Simeão que ele não morreria antes de ver o Cristo. É a ação do Espírito Santo que move Simeão para ir ao templo no exato momento que José e Maria vieram apresentar o menino Jesus, segundo preceito da Torah – a lei judaica. Não dá para refletir corretamente sobre o nascimento de Jesus Cristo sem a assistência do Espírito Santo nos acontecimentos.
A segunda reflexão é que no cântico, Simeão vê além das aparências. O cântico de Simeão é entoado com o menino Jesus nos braços. Simeão olha e vê além da criança. Ele não vê apenas uma criança, um bebê. Sua visão é uma supervisão. Ele vê algo muito maior. Ele vê a salvação que Deus “preparou diante de todos os povos”. Ele vê que aquela criança era “luz para revelação aos gentios”. Ele vê o alcance da pessoa de Jesus Cristo – Jesus veio para todos. Seu amor é inclusivo, inclui todas as famílias da terra.
A terceira reflexão é que no cântico, Simeão é de uma sinceridade assustadora. Ele não camufla a verdade. Ele não tergiversa. Suas palavras são plenas de uma dura verdade: “Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição”. As palavras do velho Simeão já apontavam para a cruz e para a singularidade de Jesus Cristo. Lucas registra a reação de José e Maria diante de toda a cena e palavras de Simeão.
Hoje, depois de tantos anos, não podemos e não devemos abrir mão da assistência do Espírito Santo. É preciso ver além das aparências e não nos deixar enganar. O Natal aponta para a essencialidade e simplicidade de Jesus de Nazaré. E, a verdade mais cruel e necessária: a criança que nasce é acompanhada pela sombra de uma cruz. A verdade não pode ser camuflada!
Feliz Natal! Feliz Natal!





