Essa semana parei para ler antigas agendas. Nelas tinha o costume de pregar ingressos de shows, cinemas, textos e pensamentos sobre os momentos que vivia. Estamos nos anos de 2014 e 2015, e é impressionante sentir a transformação após oito anos.
Era tempo de faculdade, muitas pessoas ao redor, descobertas e novas vivências. Como era intenso e como acreditava profundamente nas intenções das pessoas.
Hoje sequer alimento expectativas. O que não quer dizer que vivo no raso, só não vislumbro e projeto meus anseios em outras pessoas. Descobri que levar a vida desta forma nos torna mais calmos. É preciso serenidade para lidar com todas as situações. Logo, não esperar nada das pessoas, torna tudo uma surpresa, boa ou ruim.
Fica nítido também que não saía do cinema! Toda semana, ou pelo menos a cada 15 dias, lá estava eu. Sempre falei pras pessoas que nunca assisti o filme ‘Os Vingadores’. Completo engano. O recibo não me deixa mentir.
Tantas pessoas, tantas lembranças. Ri demais ao ler os relatos. Muitas vezes dramático demais! Acho que é o mal de quem gosta de colocar suas emoções no papel. Dei por mim a importância em registrar. Além da oportunidade de revisitar esses momentos, nos encontramos com versões nossas que sequer lembramos.
É intrigante como, com o passar dos anos, perdemos a intensidade nas coisas. Talvez aquele sentimento de que as coisas não são mais como antes, venha disso. Claramente, dentro de alguns anos, relerei textos como este que escrevo hoje, e talvez sinta o mesmo que senti hoje sobre o passado.
Era época de incertezas e planejamento do futuro. Natural lidarmos com inseguranças aos 19 anos. Estranho seria se tivesse certezas absolutas nessa idade. Com quase 27, afirmo que elas talvez nem existam. Estamos em transformação o tempo todo.
E como mudamos de opinião, hein? Somos totalmente incoerentes. Hoje tenho ciência de que faz parte da evolução.
Uma das cartas chamava-se ‘E se seu morresse hoje’. No texto discorria sobre o que havia conquistado, sentido e almejado e a satisfação que sentia por isso. Em oito ano sequer reconheço aqueles anseios. Tantas coisas mudaram! O que pensava ser permanente passou.
No fundo foi um choque de realidade, porque me fez enxergar que tudo está em constante movimento e mudança. Nossos sonhos vão se transformar e nós nos adaptarmos às circunstâncias. Novos quereres farão parte da gente e talvez o rumo mude por completo. Foi importante me revisitar. Sempre é bom ver de perto uma versão que ainda mora em sua essência.
Em alguns relatos me sentia muito inseguro sobre minha aparência e sobre como era visto pelas pessoas. Hoje, isso sequer tem relevância.
A mudança é benéfica e incontrolável. Por isso, absorva o que há de bom em todas as experiências, sendo sincero com as pessoas, com seus sentimentos e consigo mesmo. No fim, o que resta são histórias a contar e boas risadas. Espero ansioso para essa visita ao meu eu de hoje, daqui a mais oito anos!