Por Edna Gambôa Chimenes
O homeschooling, ou educação domiciliar, tem dividido opiniões entre especialistas e a população como um todo. Esse tipo de prática, ainda pouco conhecida no Brasil, vai contra o princípio defendido pela educação, de que o processo de aprendizagem deve ser contínuo e desenvolvido a partir das experiências vivenciadas pelos alunos nas escolas, que abrangem desde as interações com os colegas até os conteúdos e as estratégias pedagógicas adotadas.
Para ficar claro, o homeschooling é uma modalidade de ensino em que as crianças não frequentam a escola. Dessa forma, pais ou professores contratados passam a ser responsáveis pelo processo de aprendizagem da criança, que é realizado em casa. Vale ressaltar que não há exigência de formação específica para quem vai cumprir o papel de educador nessa metodologia de ensino.
Diversos fatores podem fazer com que as famílias optem pela educação domiciliar. Há casos em que a criança tem a saúde frágil, ou por questões ideológicas e religiosas da família, ou ainda, por uma insatisfação com o modelo de ensino ofertado nas instituições de educação. Apesar dos diferentes motivos, esse modelo educacional ainda gera bastante discussão e controvérsia no Brasil. O fato é que em nosso país ainda não há uma regulamentação federal para essa prática. Os estados passaram, em especial com o início da pandemia, a pensar e fazer leis estaduais sobre a educação domiciliar. O primeiro registro é de 2020, no Distrito Federal, e, posteriormente, Santa Catarina e Rio Grande do Sul buscaram a regularização dessa modalidade. Em todos esses casos houve intervenção do Ministério Público ou Supremo Tribunal Federal (STF), impedindo a continuidade do homeschooling.
Apesar de esse modelo de ensino ser regulamentado em alguns países, como Áustria, Canadá, Estados Unidos, Inglaterra e França, no Brasil a discussão permanece, sempre com o questionamento se essa é uma prática vantajosa para o aluno. O fato é que sempre teremos pontos positivos e negativos, independentemente do tipo de ensino que estamos falando.
No ensino domiciliar, a ideia é que se possa ter uma educação personalizada, pensando nas possíveis dificuldades do educando e suas pretensões profissionais. Porém, em contrapartida, há uma visível perda de socialização com crianças e adolescentes da mesma faixa etária, que poderia acarretar tipos de isolamento social. Além disso, essa falta de contato com outras pessoas pode prejudicar a visão crítica do aluno, já que não estaria em contato com opiniões divergentes com muita frequência.
Outro ponto de grande relevância é a importância social da escola (e dos atores que participam dessa organização). E como estão os trâmites para a legalização do homeschooling? A curtos passos, até porque trata-se de uma prática bastante distante da cultura e realidade de muitas famílias.





