quarta-feira, 18 março 2026

Loquacidade & números

Por João Ulysses Laudissi 

Quando se busca influenciar a opinião de um público o que é mais predominante: as loquacidades (retóricas) ou os números?

É obvio que com as letras se fazem palavras que, por sua vez, podem desembocar também em frases com narrativas, porém, é nos números que a franqueza e a sinceridade se tornam mais convincentes.

Seguindo ao parágrafo anterior, quando um tema é dirigido a uma população em que jaz um elevado nível de desinformação sobre o mesmo, pode-se inferir que esse público não sabe muito bem o que vale, o que pensa a respeito, o que quer e nem se realmente pode querer ou pensar. É bem provável que não farão questionamento quanto a racionalidade do assunto apresentado, ou seja, a loquacidade dos apresentadores busca despertar a emoção e não a razão dos ouvintes.
Então, se o público se comporta da mesma forma como vai a uma festa para se divertir, ou seja, priorizando emoções imediatas, passa a não se importar com as possíveis consequências no médio e longo prazos, o que poderá sinalizar indícios de que desconhece pormenorizadamente os detalhes do que está acontecendo atualmente, dando com isto, a abertura de um espaço para o império das narrativas tendenciosas.
Agora, quando o império dos números passa também a ser conhecido e refletido pelo público vem à tona a franqueza da sabedoria, que pode mostrar uma opinião mais consciente, mostrando que esse público sabe o que vale, o que quer e o que pode pensar.
Com isso, a franqueza dos números impacta na melhora do entendimento da situação. Por isso, para obter a verdadeira opinião de algo, ambas as partes – loquacidade e números – devem ser postas simultaneamente, pois enquanto predominar só a loquacidade, as narrativas ideológicas ganham espaço para sobrepor na construção de respostas de viés mais emocional, em detrimento de um viés mais calculado e pensado.
Assim, ao ser posta ao público, uma proposta deve conter pitadas equânimes de palavras e números, uma vez que é fundamental construir um discurso convincente para estabelecer qualquer base de pensamento racional em parceria igualitária com os números, uma vez que, os números não têm retóricas.
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