terça-feira, 24 março 2026

O bug dos millennials

Por Marco Antonio Spinelli

 Uma cliente querida veio trazer sua preocupação com sua filha de trinta anos, e seu trabalho numa Agência de Publicidade: de uma semana para outra ela teve um acréscimo abrupto de carga de trabalho, pois, segundo ela, três colegas da mesma idade “bugaram”. Todos os três na faixa dos vinte e cinco a trinta anos, ou seja, uma idade onde eles deveriam estar segurando qualquer bucha. O tal do “bug” deve ser provavelmente para descrever um processo de esgotamento, que antigamente era chamado de estafa e agora é mais elegante chamar de “Burnout”. Minha geração torce o nariz e chama essa geração nascida e criada no entorno da virada do Milênio de “Snow Flake Generation”, ou Geração Floco de Neve, que é lógico que um termo pejorativo para uma geração que se desmancha rapidamente diante da adversidade. Mas são só os milennials que estão bugando?

Outro cliente vem se queixando da pouca efetividade de nosso tratamento. Apesar de estarmos usando medicamentos em dose eficaz, ele fica cada vez mais cansado durante o dia, consumindo cada vez mais café para entregar toda a produção que lhe demandam e dormindo cada vez pior. Tudo para fazer um psiquiatra feliz. Eu lembrei a ele de como seus sintomas estavam mais brandos e sua qualidade de vida estava melhor quando estava desempregado.

Algumas medidas para prevenir ou reverter o burnout para millenias e para tiozinhos: cuidado com o “zooming fatigue”. Ficar o dia inteiro pendurado em telas está esgotando as capacidades dos cérebros de processar informação. Sugeri ao meu cliente desligar a sua câmera para não ficar olhando sua própria cara o dia inteiro. Parece estranho, mas este “efeito espelho” causa ou piora o cansaço. É como ficar olhando para o espelho o dia inteiro. Pedi para afastar a imagem dos interlocutores e afastar a tela de seus olhos.

A sensação de proximidade que aquele carão do chefe transmite grudado na tela causa estresse e sensação de estar sendo avaliado. Ao final das reuniões, faça um detox de tela e de imagens. Estamos numa era de sobrecarga de estímulos e informações, o que gera um cansaço constante. Afaste celular, tablet e computador nesse período de detox e faça movimento: pedir para fazer exercícios ou pular corda é bem pouco aplicável, mas uma caminhada ao ar livre, alguns alongamentos, ou dez minutos de exercícios respiratórios/meditação vão recarregar suas baterias.

Como já colocado em outros artigos, defenda seu sono como um pitbull defende seu osso. Nada de telas na cama, nada de estimulantes como café ou red bull ou nicotina perto da hora de deitar. Leitura (em livros), meditação e relaxamento antes de deitar também ajudam muito.

Sobretudo: transforme o estresse em fonte de crescimento. Ou de desafio. Ou o próximo bugado, ou bugada, será você

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