Por Alexis Fonteyne
Pesquisadores e profissionais recém-formados estão deixando as universidades direto para os aeroportos – ou para uma janela de videoconferência – para trabalhar em empresas de outros países, com empregos e condições de trabalho impensáveis para a realidade brasileira. Em um mundo liberal, nada mais justo que os trabalhadores escolham a melhor oportunidade para seu desenvolvimento profissional. O problema é que o Brasil não tem condições de competir, em níveis de igualdade, com a realidade exterior e perde mão de obra qualificada.
O Custo Brasil, que sufoca e limita os empregadores e os empreendedores, prejudica o ambiente de negócios, aumenta o risco e dificulta a retenção dos talentos, está empurrando nossos jovens e pesquisadores, para os braços de empregadores internacionais. Ele cria também em pregadores não éticos, que usam modelos informais de contratação de funcionários, na tentativa de aumentar sua competitividade, mas, na verdade, estão destruindo o ambiente competitivo, sonegando impostos e as garantias sociais dos trabalhadores – criando uma instabilidade no mercado através da concorrência desleal por não seguir as complexas leis brasileiras.
Outro movimento que cresceu após a pandemia vem de empresas internacionais, sem base no Brasil, que oferecem propostas de trabalho tentadoras, embaladas em condições de remuneração e liberdade de trabalho. O resultado: jovens talentos brasileiros nem precisam ser expatriados, simplesmente prestam serviços de tecnologia e recebem sua remuneração de forma líquida, em dólar, euro ou até criptomoedas, sem todos custos e oneração da folha de pagamento, burlando também as complexas leis brasileiras de contratação de funcionários. Não há como competir!
Na área de pesquisas, a situação não é diferente. De acordo com levantamento do Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), há atualmente de dois a três mil pesquisadores brasileiros no exterior. É importante notar que, apesar dos Estados Unidos e Canadá serem pontos naturais de atração, países como Suíça, Suécia, Irlanda, França e Dinamarca, dentre outros, também acabam por atrair nossos talentos.
Concorrência desleal de empresas não éticas e uma carga brutal de impostos que incide sobre quem deseja gerar emprego seguindo a legislação vigente, somadas aos baixos investimentos para manter os nossos melhores talentos no país, são barreiras que impedem o país de dar os saltos de desenvolvimento que precisa. Inovação, Pesquisa e Desenvolvimento são campos do conhecimento que impulsionam qualquer nação para o futuro. Investir nesses talentos tem o potencial de nos mover para frente, enquanto perdê-los pode representar a estagnação do país. Precisamos responder em qual século o Brasil quer estar e buscar os meios para que cheguemos lá.





