Por Alexis Fonteyne
Estamos a menos de dois meses do ápice do momento democrático em qualquer nação civilizada: as eleições. Em outubro, os brasileiros vão às urnas para eleger presidente da República, governadores, deputados federais e estaduais e senadores.
Quando falamos que as eleições são o ápice, não queremos dizer que a democracia não seja praticada ao longo de todo o mandato. Mas é indiscutível que o período eleitoral é o instante em que a classe política está mais alinhada às angústias e aos problemas da sociedade e busca, muitas vezes, apresentar as soluções mais práticas e mirabolantes para sinalizar que os problemas não enfrentados ao longo dos quatros anos serão finalmente resolvidos.
É justamente esse pacote de bondades que pode estragar de forma ainda mais profunda as contas públicas. O caldeirão de promessas normalmente transborda no ano fiscal posterior, obrigando os governantes que assumiram os novos cargos a promover ajustes, alguns mais hercúleos que os outros, para realizar correções de rotas.
O resultado é conhecido, mas os erros se repetem. O populismo político histórico não respeita limites ideológicos, ele perpassa todas as filosofias e matizes políticas desde a redemocratização. O adiamento de correção em planos econômicos para garantir a eleição de governadores como aconteceu entre o Cruzado I e II; a demora para corrigir a questão cambial para assegurar a reeleição como na virada de 1998 para 1999; os aumentos dos programas sociais e a célebre frase “vamos fazer o diabo para vencer as eleições” nos anos do PT. E as pressões, sempre presentes, no passado como agora, para reajustes de servidores públicos em um momento no qual é nítida a margem orçamentária estreita.
Vivemos essa história como um loop infinito no qual todos os sabem como será o final, mas, ainda assim, insistem em repetir o enredo. É impossível adotar os mesmos métodos e esperar um resultado diferente. Parece óbvio, mas não por aqui. As decisões erradas se repetem de maneira cíclica e é o brasileiro quem, no final, paga a conta.
Não é justo que, a cada quatro anos, governantes que não tomaram decisões corretas para não afetar a própria popularidade apresentem fórmulas que significarão novos riscos à nossa frágil saúde financeira. E o povo, iludido pelas durezas do cotidiano, acaba achando que as soluções fáceis e paliativas são melhores, quando não são.
Candidatos conscientes precisam mostrar isso ao eleitor. De forma clara, mesmo que lhes custe a vitória. Até porque o resultado final nunca será satisfatório. Se eleitos, terão que decepcionar a população promovendo ajustes que parecerão estelionatos eleitorais. Se perderem, seus adversários terão que apertar o torniquete para que a goteira do desperdício de recursos pare de pingar. De qualquer forma, o povo sempre sai prejudicado. E, em uma democracia, é sempre no povo que qualquer político deve pensar, em primeiro lugar!





