quinta-feira, 5 fevereiro 2026
AMERICANA

Medalhista olímpico, Tiago Camilo compartilha trajetória no judô e valores da arte marcial na FAM

Conhecido como o rei do ippon e atleta da seleção brasileira durante 20 anos
Por
Diego Rodrigues
Camilo afirmou que as artes marciais podem contribuir para uma mudança de comportamento social. Foto: Alessandro Araujo/TV TODODIA

O medalhista olímpico e campeão mundial de judô, Tiago Camilo, esteve em Americana, onde ministrou uma palestra para estudantes do curso de Educação Física da FAM, a Faculdade de Americana.

Conhecido como o rei do ippon e atleta da seleção brasileira durante 20 anos, Camilo concedeu entrevista à TV TODODIA antes de sua apresentação, realizada no auditório Jamil Salomão.

Aprendizados além das medalhas
O judoca destacou que o encontro com os estudantes é uma oportunidade de compartilhar sua trajetória no esporte de alto rendimento. “É uma palestra que conta a minha trajetória enquanto atleta, defendendo a Seleção Brasileira por 20 anos, participando de quatro Jogos Olímpicos e conquistando duas medalhas olímpicas, uma de prata e uma de bronze. Também falo sobre os aprendizados com as derrotas, as dificuldades, os momentos difíceis e as lesões, e como a gente consegue se reinventar e se manter em uma jornada que não é fácil.”

Segundo Camilo, a proposta é mostrar que os desafios fazem parte da vida. “A nossa vida é repleta de desafios e tudo é conquistado com muito esforço. Acho que a minha história reflete bastante isso, tudo o que eu aprendi com o esporte. A ideia aqui é passar essa experiência para a juventude, para os alunos da Faculdade de Americana, e colaborar um pouco com a minha história. Se isso servir um pouco para eles, para mim a missão está completa.”

Judô como formação e defesa pessoal
O judô é uma arte marcial e esporte de combate japonês criado por Jigoro Kano, em 1882. Baseado em princípios de defesa pessoal e no desenvolvimento físico e mental, o chamado “caminho suave” busca a máxima eficiência para derrubar, imobilizar ou finalizar o adversário no tatame. A modalidade é esporte olímpico desde 1964.

Violência contra a mulher e valores coletivos
Diante da atual epidemia de feminicídios enfrentada pelo Brasil e também pela região, a reportagem questionou o atleta sobre o uso do judô como ferramenta de defesa pessoal para mulheres em situações de agressão. Para Camilo, o problema vai além da técnica. “A gente tem pecado muito enquanto humanidade. Muitas coisas têm piorado, não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Falta respeito ao próximo, independentemente de quem seja, falta respeito à opinião e ao outro.”

Ele afirmou que as artes marciais podem contribuir para uma mudança de comportamento social. “A arte marcial vem muito do encontro com a nossa realidade, que é a alta taxa de violência, inclusive contra a mulher. A gente vê exemplos bem-sucedidos como o Japão, onde o judô também é muito forte, e isso acaba trazendo mais equilíbrio para a sociedade, porque você aprende até onde pode ir, pelo respeito ao próximo.”

Camilo reforçou ainda a importância do senso coletivo. “O que eu aprendi com a arte marcial é que o coletivo é muito importante. Ninguém cresce sozinho, você sempre vai precisar de alguém. Essa questão da coletividade é muito presente no judô e faz com que, respeitando o próximo, exista sempre o respeito mútuo.”

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