A PF (Polícia Federal) realizou, na manhã desta quinta-feira (15), a terceira fase da Operação “Coffee Break”, que apura supostas práticas ilícitas relacionadas a fraudes em processos de licitação de prefeituras do Estado de São Paulo na área da Educação. Desta vez, foram cumpridos mandados nos municípios de Sumaré e Jundiaí.
Ao todo, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços não divulgados pela PF, além da execução de diversas medidas de constrição patrimonial autorizadas judicialmente, como o bloqueio de bens de investigados.
Em um endereço de Sumaré, a Polícia Federal apreendeu 11 armas de fogo, sendo seis de cano longo, além de cerca de 400 munições. A origem e a legalidade das armas estão sendo averiguadas. O responsável pelo imóvel não foi localizado, e ninguém havia sido preso até as 11h.

Diligências
A investigação da Polícia Federal apura um suposto esquema de desvios milionários de recursos da Educação em cidades paulistas, entre elas Sumaré, Hortolândia e Limeira. O montante desviado pode chegar a pelo menos R$ 128 milhões desde 2021.
Segundo as investigações, o esquema funcionaria por meio do direcionamento de licitações por servidores municipais em benefício da empresa Life Tecnologia Educacional Ltda., que forneceria material didático superfaturado às redes municipais de ensino. Somente a Prefeitura de Hortolândia adquiriu R$ 57,9 milhões em materiais didáticos e kits de robótica da empresa entre 2021 e 2025.
Relembre a etapa anterior da operação
A ação desta quinta-feira dá continuidade à operação iniciada em 12 de novembro de 2025, quando foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão preventiva, expedidos pela 1ª Vara Federal de Campinas, em cidades dos estados de São Paulo, Distrito Federal e Paraná. Na ocasião, a operação contou com o apoio da CGU (Controladoria-Geral da União) e da Polícia Militar.
Conforme o andamento das investigações e a eventual apresentação de denúncia pelo Ministério Público, os investigados na Operação “Coffee Break” poderão responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e organização criminosa.

Mandados e prisões na região em novembro
Sumaré já havia sido alvo da fase anterior da Operação “Coffee Break”, em novembro, quando foram cumpridos mandados de busca e apreensão de documentos em endereços da Prefeitura. O ex-secretário de Educação entre 2022 e 2024, José Aparecido Ribeiro Marin, chegou a ser alvo de mandado de prisão.
Agentes políticos e servidores da Prefeitura de Hortolândia também são investigados desde então. Dois deles — o vice-prefeito Cafu Cesar (PSB) e o ex-secretário municipal de Educação, Fernando Gomes de Moraes — chegaram a ser presos, assim como o sócio-proprietário da empresa de Piracicaba, André Gonçalves Mariano. Eles foram soltos posteriormente por meio de habeas corpus.
As prefeituras de Sumaré e Hortolândia apuram os contratos com a Life em sindicâncias internas. A Câmara de Vereadores de Hortolândia criou a “CEI da Life” no fim do ano passado, mas, até o momento, nenhuma ação da Comissão Especial de Inquérito foi divulgada.





