sábado, 21 fevereiro 2026
ATENÇÃO

Família cai em golpe após criminosos usarem dados sigilosos de paciente na UTI em Santa Bárbara d’Oeste

Falsos funcionários do Hospital Santa Bárbara cobraram Pix para exames de emergência; Polícia Civil investiga como prontuário médico vazou para os estelionatários
Por
Cristiani Azanha
Tia do paciente disse que tinham dados privilegiados do paciente. Foto: Letícia Tetzner/TV TODODIA

A fragilidade emocional de familiares que acompanham parentes internados em estado grave virou alvo de estelionatários na região. Nesta semana, uma família afirma ter sido vítima do chamado “Golpe do Hospital” após criminosos se passarem por funcionários do Hospital Santa Bárbara, em Santa Bárbara d’Oeste, e exigirem transferências via Pix para custear supostos procedimentos médicos.

O paciente, de 40 anos, está internado há dois meses na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Segundo a família, o golpista entrou em contato por telefone, alegando urgência no pagamento de valores que seriam destinados à realização de exames e à compra de medicamentos manipulados que o hospital supostamente não forneceria.

Familiares relatam vazamento de dados
O que mais preocupou os parentes foi o nível de detalhamento apresentado por quem fez contato. A interlocução teria ocorrido com informações sobre o quadro clínico e a rotina do paciente. “Eles ligaram chamando meu sobrinho pelo nome completo. Sabiam o diagnóstico exato, o leito em que ele está e até o nome dos médicos. Como a gente ia desconfiar? A pessoa falava com uma propriedade enorme, dizendo que se a gente não pagasse o remédio na hora, ele poderia piorar. É revoltante saber que nossos dados e a nossa dor estão vazando assim”, disse a tia do paciente, Julia Maria de Jesus.

Transferências foram feitas via Pix
A sobrinha do paciente, Letícia de Souza Cuba, afirmou que realizou as transferências por acreditar se tratar de uma emergência. Ela apresentou à reportagem comprovantes de Pix e conversas em aplicativo de mensagens. “Na hora do nervosismo, a gente só quer ajudar. O cara falou que era questão de vida ou morte. Eu peguei meu aplicativo e fiz os Pix na mesma hora”, relatou.

Segundo ela, a desconfiança surgiu após conferir os dados do destinatário nos comprovantes bancários. “Só depois que eu mandei tudo e respirei um pouco, fui ler o nome de quem ia receber o dinheiro… era de uma pessoa física, de outro estado. Ali meu mundo caiu, percebi que caímos num golpe”, afirmou.

Um Boletim de Ocorrência foi registrado, e a Polícia Civil investiga a autoria do crime e como as informações restritas do hospital chegaram aos criminosos.

Orientações para evitar o golpe
A polícia orienta que cobranças por telefone não são um procedimento padrão e recomenda atenção a sinais de fraude.

  • Não faça transferências: Hospitais públicos ou particulares não solicitam pagamentos de exames, cirurgias ou medicamentos via Pix ou depósito solicitado por telefone.
  • Desligue e cheque: Caso receba ligação com cobrança, encerre a chamada e procure a recepção do hospital ou o serviço social da unidade.
  • Atenção aos dados: Não confirme informações pessoais ou médicas por telefone com desconhecidos.
  • Denuncie: Se for vítima, preserve conversas e comprovantes e registre Boletim de Ocorrência.

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