O acidente que matou duas adolescentes de 15 anos na madrugada do dia 17, no Jardim Ipiranga, em Americana, passou a ter novos desdobramentos na esfera judicial. Em coletiva de imprensa, o advogado Jean Carlos de Lima, que representa as famílias das vítimas fatais, confirmou que a defesa buscará o indiciamento do motorista por homicídio por dolo eventual, quando o condutor assume o risco de matar.
“Independente do resultado do exame de embriaguez, consideramos que o motorista assumiu o risco do dolo eventual a partir do momento em que colocou sete pessoas no carro, das quais cinco são adolescentes. Na delegacia também assumiu que ingeriu suco de uva com cachaça ou vodca. A polícia também busca imagens de câmera de segurança do percurso”, relatou o advogado Jean.

O pai de Maria Eduarda de Souza Almeida, Manassés Rodrigues de Almeida, disse considerar a possibilidade de surgirem novas provas para que a acusação contra o motorista seja agravada. “Não queremos vingança, mas sim, que a justiça seja feita”, relatou Manassés.
Defesa cita velocidade e manobras antes da colisão
A tese da defesa, segundo o que foi informado, se baseia em relatos de que o veículo trafegava em alta velocidade e realizava manobras perigosas antes da colisão. Para cobrar agilidade nas investigações e pedir justiça, familiares e amigos das vítimas organizam um protesto pacífico no próximo dia 29.
“Nossa concentração será a partir das 9h, em frente à Bandini, onde ocorreu o acidente. Faremos camisetas, faixas e cartazes e desceremos até o Fórum de Americana”, falou Jéssica Mayara Moraes, mãe de Lídia Moraes Aguiar.
Sobrevivente recebe alta e seguirá recuperação em casa
Na manhã desta segunda-feira (23), uma das sobreviventes da colisão recebeu alta do Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi e seguirá a recuperação em casa. Durante a internação, ela passou por cirurgia para retirada do baço e tratou uma perfuração no pulmão, além de permanecer na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) antes de ser transferida para a Ala 3 do hospital.
Pai relata detalhes do trajeto e critica imprudência
Em conversa com a reportagem, Joel Vinícius Andrade Knupp, pai da sobrevivente, disse que a filha contou detalhes do trajeto antes da batida. Ele afirmou considerar inaceitável a conduta de “fazer gracinha no volante” e realizar manobras em alta velocidade, especialmente com o carro com adolescentes.

Acidente ocorreu na volta de bloco de Carnaval
O acidente aconteceu quando o grupo voltava de um bloco de Carnaval, em Santa Bárbara d’Oeste. O veículo, um Vectra, bateu contra um poste na Rua Igaratá, no Jardim Ipiranga.
O carro era conduzido por um homem de 40 anos, pai de uma das adolescentes que estavam no veículo. Segundo as informações, ele, a filha e a companheira não se feriram. Maria Eduarda de Souza Almeida morreu após dar entrada no hospital, e Lídia Moraes Aguiar, transferida em estado grave, morreu no dia seguinte.
As duas tinham 15 anos e eram estudantes dos cursos de Administração e Recursos Humanos na Etec Polivalente de Americana. Uma adolescente de 16 anos teve ferimentos leves, foi atendida na UPA São José e liberada na sequência.





