
O acidente que resultou na morte de duas adolescentes de 15 anos na madrugada de terça-feira (17), no Jardim Ipiranga, em Americana, segue gerando revolta e comoção. As jovens retornavam de um bloco de Carnaval em Santa Bárbara d’Oeste quando o veículo em que estavam, um Vectra, colidiu contra um poste na Rua Igaratá.
A reportagem conversou com exclusividade com Joel Vinicius Andrade Knupp, pai de uma das adolescentes sobreviventes. Segundo ele, as meninas tiveram dificuldades para acionar um carro de aplicativo e acabaram aceitando a carona oferecida pelo pai de uma amiga.
“Até aí, dar a carona para ajudar, a gente entende. O que não dá para aceitar é fazer gracinha no volante, fazer manobras em alta velocidade com o carro cheio de adolescentes. Isso não foi um acidente, foi irresponsabilidade”, desabafou Joel.
Estado de saúde das sobreviventes
A filha de Joel, que estava entre as vítimas em estado grave, apresentou melhora no quadro clínico. A jovem passou por cirurgia para retirada do baço e se recupera de uma perfuração no pulmão. Ela já recebeu alta da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e segue internada na Ala 3 do Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi, ainda sem previsão de alta.
Outra adolescente ferida, de 16 anos, foi atendida na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) São José e liberada para voltar para casa ainda na terça-feira. Uma terceira sobrevivente, filha do motorista, teria deixado o local do acidente antes da chegada das autoridades, segundo o registro policial.
Comoção e cobrança por justiça
O impacto matou Maria Eduarda de Souza Almeida e Lídia Moraes Aguiar, ambas de 15 anos. As duas eram estudantes dos cursos de Recursos Humanos e Administração na Etec (Escola Técnica Estadual) Polivalente de Americana. Maria Eduarda morreu logo após dar entrada no Hospital Municipal, enquanto Lídia faleceu no dia seguinte em decorrência dos ferimentos.
O velório de Lídia, realizado na quinta-feira (19), no Cemitério da Saudade, reuniu familiares e amigos. A despedida teve homenagens com fotos e objetos ligados ao universo Harry Potter, citado como uma das paixões da adolescente.
Em entrevista à TV TODODIA, Jéssica Mayara Moraes, mãe de Lídia, cobrou justiça e afirmou que as jovens tinham recursos para voltar em segurança. “A Lídia e as amigas dela tinham autorização para voltar de Uber, ela tinha dinheiro. O motorista não tinha autorização para trazê-las embora. Vamos buscar nossos direitos para que isso não caia no esquecimento. Elas eram ótimas alunas, não tinham bebido. Elas nunca fizeram isso”, declarou Jéssica.
Motorista foi preso e liberado em custódia
O Vectra era conduzido por um homem de 40 anos, pai de uma das adolescentes que estavam no carro. Ele foi preso em flagrante no dia do acidente após se recusar a realizar o teste do bafômetro, mas foi solto durante audiência de custódia na quarta-feira (18).
Em depoimento, o motorista alegou que o carro deslizou ao frear no sinal vermelho. Ele disse ter ingerido uma pequena quantidade de bebida alcoólica, que descreveu como “suco de uva misturado com cachaça ou vodca”, e negou o uso de entorpecentes. No entanto, porções de maconha foram apreendidas pela polícia no interior do veículo.
O homem responde em liberdade pelos crimes de homicídio culposo (quando não há intenção de matar), lesão corporal e porte de entorpecentes. A Polícia Civil aguarda o resultado do exame de dosagem alcoólica feito por meio de coleta de sangue. A defesa do motorista informou que não vai se manifestar neste momento.





