quinta-feira, 29 janeiro 2026
DISPUTA POR TERRITÓRIO

Guerra entre PCC e CV: megaoperação prende criminoso em Hortolândia e realiza apreensões em Americana e Santa Bárbara

“Operação Keravnos” combate organizações criminosas envolvidas em crimes violentos no interior paulista
Por
Vagner Salustiano e Airan Prada
Homem preso em Hortolândia tinha armas, dinheiro e equipamentos, que serão periciados. Foto: Polícia Militar de SP

Pelo menos quatro suspeitos de integrar facções criminosas foram presos na quinta-feira (29), um deles em Hortolândia, durante o cumprimento de mandados judiciais da “Operação Keravnos”, que mira a disputa por territórios entre o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) na região. Todos estavam armados.

Segundo o coronel Cleotheos Sabino, comandante do CPI-9 (Comando de Policiamento do Interior de Piracicaba), o homem preso em Hortolândia é “um dos principais envolvidos em crimes ultraviolentos em um passado bastante recente” na região.

A iniciativa é do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo), em conjunto com a Polícia Militar – que destacou 140 agentes para a operação.

No endereço do suspeito preso em Hortolândia, localizado na Rua Luiz Taionnato Ledis, no Jardim do Lago, foram apreendidas armas, dinheiro em espécie e vários cheques bancários, além de equipamentos eletrônicos.

A prisão em Hortolândia foi realizada por equipes do 10º Baep (Batalhão de Ações Especiais). Ele foi apresentado em seguida no Plantão Policial da cidade, de onde seria transferido para uma unidade prisional.

Os demais suspeitos (todos com histórico criminal) foram presos em Limeira (com dois detidos) e Ipeúna. Nenhum deles resistiu às prisões.

Também houve a apreensão de dinheiro e equipamentos eletrônicos em endereços no Jardim Bertoni, em Americana, e no Planalto do Sol, em Santa Bárbara d’Oeste. Os materiais são considerados “relevantes para as investigações”. Houve ainda apreensões em Piracicaba.

Coronel destaca violência dos envolvidos
Comandante do CPI-9, o coronel Cleotheos Sabino falou à TV TODODIA ainda de manhã sobre os objetivos da operação.

Segundo o comandante, não está descartada a participação dos investigados no roubo ao carro forte de 02 de janeiro na Rodovia SP-304, entre Piracicaba e Santa Bárbara d’Oeste, já que todos eles são de facções e têm envolvimento neste tipo de crime, como o homem preso em Hortolândia.

Operação contra grupos “ultraviolentos”
A “Operação Keravnos” (que faz referência ao raio de Zeus) busca desarticular lideranças das organizações criminosas PCC e CV envolvidas em uma “violenta disputa territorial nas regiões de Piracicaba, Araras e Rio Claro”, bem como em “crimes ultraviolentos”, incluindo roubos a carros fortes, roubos a bancos, tráfico internacional de drogas e homicídios.

Na ação contra os grupos que promovem tais crimes na região do CPI-9, foram cumpridos ao menos 25 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Vara Criminal da Comarca de Araras.

Os alvos incluíram endereços nas cidades de Piracicaba, Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Hortolândia, Limeira, Rio Claro, Ipeúna, Leme e Engenheiro Coelho.

“Essa ação demonstra o esforço do Estado de São Paulo para o aprimoramento da Segurança Pública, reforçando a atuação integrada entre as instituições e a adoção de estratégias voltadas à redução da criminalidade e ao controle da violência”, completou o coronel Sabino.

Segundo comandante do CPI-9, presos são considerados criminosos “ultraviolentos”. Foto: Airan Prada/TV TODODIA

Em busca dos “planos de ataques” das facções
Segundo o Ministério Público, além das prisões, o objetivo principal da “Operação Keravnos” foi a apreensão de armas, munições, drogas, documentos e dispositivos eletrônicos que possam fornecer provas adicionais sobre a estrutura hierárquica e os planos de ataque das facções.

Entre os alvos, estavam indivíduos apontados como lideranças regionais das fações (conhecidos como “Jet”), além de criminosos de alta periculosidade que se encontravam foragidos do sistema prisional.

A Justiça autorizou ainda a quebra do sigilo de dados dos aparelhos eletrônicos apreendidos – uma medida considerada essencial para interromper o fluxo de ordens de execução, conhecidas como “salves”, emitidas pelas cúpulas das organizações.

Região está em “estado de guerra urbana”
As investigações revelaram também que o conflito entre as facções “escalou” significativamente após o CV tentar ocupar pontos de venda de entorpecentes anteriormente dominados pelo PCC, “instaurando um estado de guerra urbana na região” do CPI-9.

O monitoramento policial identificou uma sucessão de crimes violentos iniciada em 2022, incluindo execuções com o uso de fuzis, homicídios de lideranças, carbonização de corpos e até uma chacina em represália a mortes anteriores.

Segundo o Ministério Público paulista, com a operação dessa semana, “as forças de Segurança buscam garantir a ordem pública e conter a espiral de violência que tem causado pânico na população local”.

O material coletado na quinta-feira será agora analisado pelo CAEx (Centro de Apoio à Execução) do Ministério Público, para subsidiar futuras denúncias criminais e a responsabilização definitiva dos envolvidos.

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