quarta-feira, 4 fevereiro 2026
JUSTIÇA

Júri popular de morte de ativista em Hortolândia será em março

Alfred Johnson será julgado no dia 5 pelo assassinato de Wagner Luiz Alves, ocorrido em 2021. Crime aconteceu durante uma reunião e réu contará com intérprete de inglês no tribunal
Por
Cristiani Azanha

O mecânico nigeriano Alfred Johnson, acusado de matar a tiros o ativista cultural Wagner Luiz Alves, de 37 anos, enfrentará o Tribunal do Júri no próximo dia 5 de março, a partir das 11h, no Fórum de Hortolândia. O crime, ocorrido em abril de 2021, chocou a região.

O julgamento será presidido pelo juiz André Forato Anhê, da 1ª Vara Criminal da cidade. Devido à nacionalidade do réu, o magistrado nomeou uma intérprete de inglês para garantir a comunicação durante a sessão. Johnson responde por homicídio qualificado (motivo fútil, recurso que dificultou a defesa da vítima e uso de arma de fogo) e também por tentativa de homicídio contra uma segunda vítima que sobreviveu ao ataque.

Ativista cultural Wagner Luiz Alves tinha 37 anos. Foto: Reprodução/redes sociais

Relembre o crime
Segundo o processo, o crime ocorreu durante uma reunião sobre a criação de ONGs, que contava com a presença de oito pessoas, além de Johnson e sua esposa (grávida na época). O réu estava hospedado no local para consertar um carro.

A denúncia do Ministério Público, baseada no relato de uma testemunha-chave (o sobrevivente), aponta que Johnson manteve-se distante durante o encontro. No final da tarde, contudo, ele desceu de um mezanino gritando em um dialeto estrangeiro. Ele se aproximou por trás da testemunha e apontou uma pistola prateada para sua cabeça.

Ao perceber a intenção do atirador, a testemunha correu. Johnson teria disparado cinco vezes contra ela e, enquanto a vítima tentava fugir pelo portão, efetuou mais quatro disparos, sendo que um deles atingiu o sobrevivente acima da cintura. Wagner Luiz Alves, o ativista cultural, foi atingido fatalmente.

Prisão e processo
Alfred Johnson fugiu após o crime, sendo localizado e preso pela Polícia Civil de Hortolândia dois meses depois, na Zona Norte de São Paulo. Na ocasião, uma pistola com munições foi apreendida com ele. Atualmente, o réu permanece detido no CDP (Centro de Detenção Provisória) Guarulhos I.

Durante a fase processual, a defesa tentou alegar insanidade mental, mas o réu se recusou a fazer o exame, inviabilizando a perícia. O juiz do caso considerou haver provas suficientes da materialidade dos crimes para levar o caso a plenário.

O que diz a defesa
Procurado, o advogado Antonio Gonzalez S. Filho, que representa o réu, divulgou a seguinte nota:

“Este Defensor informa que, no dia 05 de março, ocorrerá o julgamento pelo Tribunal do Júri da Comarca de Hortolândia (SP) do acusado ALFRED JOHNSON, pronunciado para ser submetido a julgamento popular, em ação penal da competência do Júri que envolve imputação de homicídio qualificado consumado e tentativa, conforme decisão de pronúncia e tramitação do feito.

Os fatos investigados remontam ao dia 10/04/2021, em ocorrência registrada no município de Hortolândia (SP), envolvendo uma vítima fatal e outra sobrevivente, em contexto apurado nos autos.

Na condição de defensor dativo, a Defesa reafirma seu compromisso com a legalidade, com o devido processo legal e com a busca da verdade possível em plenário, destacando que o julgamento é o momento constitucionalmente adequado para a apreciação das versões, provas e circunstâncias do caso pelo Conselho de Sentença.

A Defesa registra, ainda, que apresentará em plenário sua tese defensiva, já indicada nos autos, inclusive sob o enfoque de legítima defesa, com a análise crítica do conjunto probatório, sempre com respeito às vítimas, aos familiares, ao Ministério Público e ao Tribunal do Júri.

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