A Justiça de Hortolândia determinou que cinco homens acusados de envolvimento na morte de Adenir Batista dos Santos Júnior, conhecido como “Juninho”, sejam julgados pelo Tribunal do Júri. A decisão de pronúncia foi assinada pelo juiz André Forato Anhê, da 1ª Vara Criminal, e encerra a primeira fase do processo sobre os crimes ocorridos em 2023.
De acordo com a denúncia do MP-SP (Ministério Público de São Paulo), os crimes estariam ligados a uma suposta organização criminosa conhecida como “Família Fala Fina” (FF). A vítima atuava com empréstimos de dinheiro e cobrava uma dívida de cerca de R$ 100 mil de integrantes do grupo, o que, segundo a acusação, teria motivado os ataques.

Cronologia do caso
Segundo o processo, a vítima foi alvo de duas emboscadas ao longo de 2023. A primeira ocorreu em 28 de julho, quando foi atraída para um bar e surpreendida por atiradores. Na ocasião, foi baleada na coxa e no braço, mas sobreviveu.
O homicídio foi consumado em 16 de novembro. Conforme os autos, Adenir Júnior foi atingido por múltiplos disparos enquanto entrava em seu carro, próximo à Delegacia do Parque Pinheiros, em Hortolândia. O laudo apontou que ele foi atingido por oito tiros, sendo um deles fatal no coração.
Ainda de acordo com o processo, o veículo utilizado na ação, um Fiat Uno furtado, foi incendiado no dia seguinte ao crime para eliminar vestígios.
Quem vai a júri
Com base em mensagens de celular, quebras de sigilo, imagens de câmeras e depoimentos, o juiz decidiu pronunciar cinco acusados.
Um dos réus irá a julgamento pela tentativa de homicídio registrada em julho de 2023, por supostamente ter usado a confiança da vítima para atraí-la ao local do atentado.
Outros quatro foram pronunciados pelo homicídio consumado em novembro, apontados como envolvidos na execução e na organização da ação criminosa. Um deles é citado nas investigações como possível líder do grupo e suposto mandante.
Segundo a investigação, há elementos como imagens, tatuagens com a sigla “FF” e rastreamento de celulares que indicariam a participação dos acusados na logística do crime, incluindo a escolta e a queima do veículo. Eles responderão por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Defesas recorrem
Advogados de três dos acusados informaram que vão recorrer da decisão. As defesas alegam ausência de provas suficientes para submeter os réus ao Tribunal do Júri e questionam a interpretação dos elementos reunidos durante a investigação.
A defesa de um dos denunciados afirmou que não há indícios que o apontem como mandante do crime. Outro advogado declarou que pretende apresentar recurso em sentido estrito. Já um terceiro defensor sustenta que os elementos citados no processo são frágeis e insuficientes para comprovar participação no caso.
A defesa de um quarto acusado foi procurada, mas não se manifestou até a publicação desta reportagem.
Quatro réus são retirados do processo
Na mesma decisão, a Justiça retirou quatro acusados do julgamento pelo Tribunal do Júri. Segundo o juiz, apesar de terem sido citados no início das investigações, não foram apresentadas provas concretas ou individualizadas de participação nos crimes durante a fase judicial.
Com isso, foi determinada a expedição de alvarás de soltura. Já os réus que seguem no processo tiveram as prisões preventivas mantidas, com exceção de um deles, que continuará respondendo em liberdade.





