quarta-feira, 1 abril 2026
OPERAÇÃO FALLAX

Justiça solta Thiago Ralado e outros 17 investigados por fraude de R$ 500 milhões

Thiago Branco de Azevedo, apontado como líder do esquema, sua esposa e o cunhado deixaram a prisão na tarde desta terça-feira (31)
Por
Cristiani Azanha
Ralado foi preso na última quarta-feira. Foto: Reprodução/TV TODODIA

Thiago Branco de Azevedo, conhecido como ‘Ralado’, apontado pela PF (Polícia Federal) como o principal articulador de um esquema bilionário de fraudes bancárias, foi colocado em liberdade na tarde desta terça-feira (31). Além dele, sua esposa, Glaucia Juliana de Azevedo, e o cunhado, Julio Ricardo Iglesias Oriolo, também deixaram a prisão. A informação foi confirmada à TV TODODIA, pelo delegado federal Florisvaldo Neves.

O trio integra o grupo de 18 pessoas beneficiadas por alvarás de soltura após terem sido detidas no âmbito da Operação Fallax, deflagrada na última semana. Thiago estava detido no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Piracicaba desde sexta-feira (27), após se entregar à corporação. Glaucia estava na penitenciária de Mogi Guaçu.

O “Império” de empresas de fachada
Morador de Americana, Thiago Ralado é acusado de estruturar uma rede de empresas de fachada para aplicar golpes em grandes instituições financeiras como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco e Santander. As fraudes podem superar R$ 500 milhões.

De acordo com o delegado da Polícia Federal em Piracicaba, Henrique Guimarães, o esquema criminoso era altamente sofisticado e estruturado. As investigações identificaram mais de 170 empresas registradas em nome de “laranjas”, mas o cruzamento de dados aponta que esse número pode ultrapassar 400 CNPJs.

Ainda segundo o delegado, o grupo aliciava pessoas para cederem seus dados pessoais em troca de pagamentos que variavam entre R$ 150 e R$ 200. Além disso, gerentes bancários também eram cooptados para facilitar a liberação de empréstimos e evitar alertas dos sistemas de segurança.

O ciclo da fraude consistia na criação e manutenção dessas empresas por cerca de um ano, período suficiente para obtenção de crédito e realização de movimentações financeiras fictícias, muitas vezes por meio de máquinas de cartão. Após esse processo, as empresas eram abandonadas, deixando para trás dívidas milionárias.

Conexões com o crime organizado
As investigações, que tiveram apoio do Gaeco (Ministério Público), revelaram que o esquema não se limitava a fraudes bancárias. Foram identificadas conexões entre as empresas criadas por Thiago e integrantes da facção criminosa Comando Vermelho, que utilizariam a estrutura para lavagem de dinheiro.

A PF também confirmou ligações entre o alvo de Americana e pessoas ligadas ao grupo Fictor, que esteve envolvido em tentativas de negociação no sistema financeiro nacional.

Números da Operação Fallax
Deflagrada na última quarta-feira (25), a operação visou desarticular a organização criminosa em três estados (São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia). Na ação, a Justiça determinou o sequestro de até R$ 47 milhões em imóveis, veículos e criptoativos.

Próximos passos
Apesar da soltura, os investigados continuam respondendo ao processo e devem cumprir medidas cautelares determinadas pela Justiça Federal.

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